terça-feira, 31 de agosto de 2010

A hora da estrela

Há um bom tempo não nos falamos. Talvez você não saiba e nem imagine, mas mudei muito desde o nosso último encontro. Epifania atrás de epifania, quase me transformei em outra pessoa. Mudei o cabelo, o modo de me comportar, o meu relacionamento com os estudos e a minha visão de mundo. Chego a ter uma (parca) vida social!

Há males que vêm para o bem e em você me certifiquei que isso é a mais pura verdade. O momento em que terminamos foi a minha hora da estrela.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eu sou o Doug!

Eu só tenho aula às sextas das 09h às 13h, de uma matéria chamada Literatura e Interfaces (para quem ainda não leu nada sobre essa matéria aqui, é, basicamente, uma comparação da literatura com o cinema). Só para variar, eu não fui pra casa uma da tarde; fui pra internet, fiquei vendo uns vídeos hilários do Felipe Neto e do PC Siqueira, além de postar – óbvio. Eu não gosto de ficar em casa, então eu prefiro ficar na faculdade sem nada pra fazer... como a Bella, uma amiga minha que pega o mesmo ônibus que eu, ia sair às cinco, decidi esperá-la para não ir embora sozinha (tô com medo de surtar no ônibus. Se eu surtar, dificilmente vai ser acompanhada, então preferi esperar 4 horas para poder ir me distraindo na viagem).

Enfim. Quando me encontrei com a Bella e a gente começou a conversar, comentei com ela sobre um vídeo que tinham feito só com os melhores momentos da Lola, a buldogue francês (francês ou francesa? É, eu sei que deveria saber, eu faço Letras...) do PC Siqueira. Aí comecei a exaltar a fofura dessa raça canina que eu tanto amo, e disse que adoraria ter um cachorro desses, pois eles são bem calmos.

“Se bem que todos os meus cachorros são ou foram aloprados. E dizem que o cachorro pega a personalidade do dono...”

“Pega”, disse a Bella.

“Eu sou aloprada então?”

Aí vem a resposta que me fez rir tanto que me deixou com cãibras nas bochechas e dores nas costelas: “Sim! Sei lá, você tá sempre tão feliz e (aqui ela fez uma expressão meio saltitante que eu acho que se traduziria perfeitamente por “serelepe”) eu acho que se você fosse um cachorro, estaria sempre abanando o rabinho!”

Comecei a rir freneticamente e imaginei o Doug, o cãozinho do filme “Up – Altas Aventuras”. “É!! Você é exatamente como ele! ‘Eu acabei de te conhecer, mas te amo!’ Você é como um animalzinho de estimação, só precisa dar carinho, comida e levar para passear.” Por incrível que pareça, essa frase da Bella faz muito sentido! Eu sou o Doug!

Aí você que leu meus últimos posts surtados se pergunta: “Mas essa menina não tava toda mal? Como assim? Por que a amiga dela disse que ela tá sempre feliz?” Talvez eu seja uma pessoa sozinha e outra acompanhada. Talvez meus amigos sejam o meu remédio. Quando converso com a Bella, não consigo ficar mal, porque a gente fala tanta asneira que não dá pra ficar séria (só um exemplo: hoje a Bella queria saber a diferença do cupcake pro muffin, aí eu disse que o cupcake tem o recheio em cima. “Recheio em cima?” Ela perguntou. “Cobertura, né, Ju?”).

Pra você que ainda não se conformou com o fato que eu sou totalmente paradoxal, eu dou uma frase que ouvi hoje na aula: o paradoxo acalma. Eu nem preciso tentar me explicar, se sou paradoxal. Pra quê tentar, se ninguém vai conseguir me entender? O paradoxo me acalma.

Direto do Túnel do Tempo

Eu acho as viagens no tempo algo surrealmente divertido. Eu adoraria pegar um ônibus e ir para o futuro – e o interessante é que nos ônibus da empresa Futuro, quando estão indo para a garagem, aparecem escritos no lugar de destino: Futuro. É como se eles realmente estivessem indo para o futuro!

O que eu mais acho interessante no tempo é como algumas coisas que acontecem hoje seriam totalmente ridículas ou inaceitáveis há alguns anos. Tudo bem que o contrário também é válido: algumas coisas de alguns anos atrás seriam – e são – piada atualmente. Mas o meu foco é na primeira situação. Sou fã da trilogia “De volta para o futuro” e adoro a parte em que o Marty McFly volta à década de 50 e diz que veio do futuro. Aí alguém – desculpem-me, mas não lembro quem diz isso – diz: “Ah, se você veio do futuro, então diz quem vai se o presidente dos EUA em 1985.” McFly então responde: “Ronald Reagan” “Ronald Reagan?! O ator?!” E o cara não acredita no personagem imortalizado por Michael J. Fox. Mas aí eu penso: se alguém de hoje em dia voltasse à década de 80, dissesse que era do futuro e alguém perguntasse: “Ah, então quem é o governador da Califórnia?”, o cara ia ter que responder Arnold Schwarzenegger. E, na década de 80, Arnold era conhecido como um recorrente vencedor do Mr. Olympia (o Oscar da musculação) e como um ator de filmes como “Conan – O Bárbaro”. Ou seja, o viajante de 2010 ia ser muito zoado.

Eu sou do tempo em que:

• O Raul Gil era da Record;

• A Eliana nunca tinha passado pela Record;

• O Gugu era do SBT (não dá, pra mim ele SEMPRE vai ser o apresentador do “Domingo Legal”, apesar de eu preferir o Celso Portioli. Aliás, eu sou do tempo em que o Celso Portioli era o apresentador do “Passa ou Repassa”! Quem nunca ficou fazendo coro com a plateia: “O Celso vai levarrr torrrtada! O Celso vai levarrr torrrtada!”?);

• Miguel Falabella era apresentador do “Video Show” e o André Marques era o Mocotó, de “Malhação” – isso quando a novela se passava numa academia e o nome fazia sentido (Obs.: quem me lembrou essas duas coisas foi a Júlia);

• Funk era “Bonde do Tigrão”, “Bonde do Vinho” e “Éguinha Pocotó”;

• Ivete era apenas a vocalista da Banda Eva;

• Daniel cantava com o João Paulo, Leonardo cantava com o Leandro, Buchecha cantava com o Claudinho e Sandy cantava com o Júnior;

• Se você tivesse um GameBoy você era demais;

• Spice Girls e Backstreet Boys eram as coisas mais legais do mundo e o super casal era o Nick Carter com a Emma (a loirinha das SG), não o Beckham com a Victoria;

• Desenho da Disney era só pra criança – ainda bem que isso mudou!

• O delírio das adolescentes era o Daniel Radcliffe (e me incluo nas adolescentes delirantes) – ou seja, um garoto que realmente parecia um garoto e que só usava maquiagem durante as filmagens de “Harry Potter”. Não era que nem o Justin Bieber.

• O emo era modinha;

• Mateus Solano era apenas o ligador da Oi (aliás, eu vi o Solano de pertinho numa peça que ele apresentou na minha escola. Isso foi há uns dois anos atrás e ele era um ilustre desconhecido. Alguns poucos meses depois ele fez “Maísa” e estourou);

• “Coloridos” eram os Power Rangers, não um tipo de rock... 


Wake me up when September ends

Como diz a música do Green Day que dá título a esse texto, eu queria começar a dormir agora e só acordar quando setembro acabar. Por quê? Deixe-me explicar.

Minha avó vai fazer nessa terça feira, dia 31, uma operação de ponte de safena. Ela mora em Casimiro de Abreu e vai fazer a operação em Cabo Frio, ou seja, bem longe de onde moro. Como ela vai precisar de alguém pra ficar com ela no hospital e depois quando ela voltar pra casa, minha mãe e minha tia foram pra lá pra fazer companhia e tomar conta dela. Isso quer dizer que eu vou ficar um mês sozinha em casa. Tudo bem, meu pai e a minha irmã vão estar em casa, mas, acreditem é a mesma coisa que estar sozinha.

Aí vocês podem pensar: “UHU (a Line tinha um emoticon pra “UHU” que era o Carlton Banks, do “Um maluco no pedaço”/ “The fresh Prince of Bel Air”, dançando aquela dança esquisita dele. Então, sempre que eu falo UHU lembro dele... Enfim, voltemos ao que você pode estar pensando agora)! Ficar um mês sozinha em casa! Que sonho...” É, até poderia ser – se eu não tivesse que me preocupar com coisas como: lavar, passar, varrer, arrumar, pagar contas, ajudar minha irmã com trabalhos de casa e, o pior de tudo: cozinhar.

Cozinhar para mim, assim como dirigir, é uma coisa de outro mundo. É sério, não sei como as pessoas conseguem cozinhar e dirigir. E eu fico imaginando: tem tanto babaca cozinhando e dirigindo, não pode ser tão difícil assim... Mas é. Vou tentar a auto escola no ano que vem – só faço 18 em fevereiro –, mas vou começar do zero mesmo! Não faço ideia para que serve a embreagem e, pra mim, quem sabe passar a marcha é um gênio. Sem contar que não sei se vou ter coordenação suficiente para me ligar nos três pedais, mais a marcha, mais as manobras malucas com o volante, mais a estrada. Já viram “As patricinhas de Beverly Hills”? Então, acho que vou sair dirigindo como a Cher, personagem da Alicia Silverstone. E cozinhar fica no mesmo nível – acho que também vou cozinhar como a Cher. Eu odeio cozinhar, e você vê o meu nível de tédio pela cozinha: se eu estiver com um livro de receitas nas mãos, é porque o meu tédio já atingiu o máximo possível e eu não tô a fim de ler, nem de ver um filme, nem de escrever, nem de jogar paciência ou qualquer outro jogo no PS2, nem de estudar. O pior de tudo é que o meu pai acha que, só porque eu sou mulher, eu tenho que saber cozinhar. Nananinanão, senhor Júlio César. A cozinha não é para mim, é para a minha irmã. Me sinto até um pouco mal por isso, mas a Gi, que vai fazer 11 anos na 6ª, sabe fazer bolos deliciosos e já tá aprendendo a cozinhar mesmo. Enfim. Eu sei fazer lasanha (da Sadia), miojo e cachorro quente, o suficiente para não morrer de fome. Infelizmente, ninguém aqui em casa sabe cozinhar direito, ou seja: eu não faço ideia do que vou comer pelas próximas semanas. Vou passar o máximo de tempo possível na faculdade, comendo no Bandejão, para não precisar comer aqui. Mas o fim de semana existe e, mais cedo ou mais tarde, eu vou ter que me aventurar na cozinha ou comer aventuras alheias.

É bem capaz que pelas próximas semanas eu fique um pouco mais irritadiça. Perdoem-me antecipadamente, mas vocês já sabem qual é o motivo.

Ps.: Por favor, orem, rezem ou simplesmente façam pensamento positivo pela minha vó. :D

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Coisas esdrúxulas: patos verdes usam máscaras de cachorro


Agradecimentos especiais à Julia Blunck, que me mandou a imagem

Baixou o Felipe Neto em mim

Cuidado: texto agressivo! 

Ontem, no meio do meu surto, comecei a enxergar nitidamente coisas que insistia em esconder ou deixar de lado. Baixou o Felipe Neto em mim e eu comecei a me criticar ferrenhamente. Esse texto é um desabafo, cheio de coisas que nunca assumi nem pra mim mesma. Então, se você não concordar com algumas coisas escritas, é bem capaz que o meu "eu-social" também não concorde. Mas esse post está sendo escrito pela Ju surtada, pela Ju debaixo das convenções sociais. Estou me expondo mesmo aqui.

Comecemos pelos possíveis motivos do meu surto.

Eu sou fatalista. Eu sou uma drama queen (atenção: para quem não sabe muito de inglês, isso não é uma espécie de drag queen; significa "rainha do drama"). E, como prova disso, acho que o meu futuro vai ser:
a) Ficar louca (literalmente);
b) Virar uma "mulher independente" - ter muito sucesso profissional mas ter uma vida amorosa deplorável; viver sozinha com alguns gatos.

Eu só tenho 17 anos, não era para eu pensar assim. Mas eu não consigo ignorar esse pesadelo que me assombra tanto, e acho que isso talvez tenha sido uma das causas do meu surto. Eu não sou normal, então pra quê me comparar às pessoas normais? O Tiririca casou? Bem, não é porque ele é mais feio que eu que há algum tipo de garantia dizendo que eu vou me casar também. E aí vem mais um motivo pro surto: por que eu não vou me casar?

Não adianta. Eu não sou gostosa, eu não sou linda e, convenhamos, quem quer saber de inteligência hoje? Tudo bem que eu também não ficaria com alguma pessoa que despreza as minhas capacidades intelectuais, mas um pouco de beleza ajuda, né? Cremes anti espinhas, hidratantes, maquiagem, esmaltes e o caramba a quatro. Pra quê serve tudo isso? Gente, se eu não for maquiada por um profissional, as pessoas não vão ver diferença nenhuma. E por que eu ainda insisti em pintar o cabelo? Sei lá, ruivas pelo menos são mais cults que loiras. Enfim. Eu tenho 1,70m, 43 kg; sou extremamente magrela. Questão genética o que eu posso fazer? Meu pai é personal e malhei por quase dois anos. Via várias pessoas ganhando corpão, mas eu continuava a ter 4 varetinhas como pernas e braços. Desisti de ser gostosa. E com relação a ser bonita... tá, eu não me considero feia,o que é totalmente diferente de se achar bonita. E como os únicos elogios à minha beleza que recebo são de pessoas da minha família (nem pedreiro me canta!), ignoro-os completamente. Se bem que meus pais não fazem muita questão de me iludirem quando o assunto é minha beleza. Outro dia eu tinha feito uma escova no meu cabelo e até tinha gostado; meu pai me viu e falou: "Nossa, Juliana! Você tá parecendo a Cuca, do 'Sítio do Picapau Amarelo'." Animador, né?

Aí vem a minha psicose. Quem vai querer uma psicótica? Eu nunca tinha surtado assim antes e eu duvido muito que quem me conhece pessoalmente está me reconhecendo nesse texto. Eu sou praticamente normal com as pessoas. Meu perigo é quando eu tô sozinha.

Nesse fluxo contínuo de pensamentos aparentemente desconexos, comecei a buscar a VERDADEIRA causa disso tudo ao assistir uma palestra sobre "Laranja Mecânica". A maldita sociedade. Olha, eu não tenho força o suficiente para poder viver como bem entendo, ignorando totalmente as pressões da sociedade e sendo feliz desse jeito. Me desculpem, mas não consigo. A sociedade me apresentou um método de vida ideal (sucesso amoroso + sucesso profissional) e é isso que eu quero. Infelizmente, a cada dia que passa eu percebo que não fui feita para esse sistema. E, se por acaso algum dia fizer parte desse sistema - na verdade, já fiz parte, por exatos dois anos e meio -, vou achar que tem algo bisonhamente errado. Vai ser como viver num sonho mesmo: com o medo e a possibilidade de acordar a qualquer hora.

Aí eu ainda me acho punkzininha, sendo rebelde nas minhas roupas e talz. A única coisa punk da minha vida é o meu 2o período, no qual estou fazendo 5 matérias de literatura. Tirando isso, nada é punk. EU NÃO SOU PUNK!! Eu sou uma menina de 17 anos totalmente perdida que, se não encontrar um psicólogo urgentemente - ou um namorado talvez sirva -, vai ter sérios problemas no futuro.

Pessoas mais velhas que lêem o meu blog: vocês já passaram por isso? Por favor, me digam que esse tipo de comportamento é normal (caramba, eu estou querendo ser normal...). Me digam que vocês já surtaram também.

Preciso ir. Tô escrevendo na biblioteca e o meu tempo já tá quase acabando. Me descupem se eu assustei vocês.

Surtei

Ontem, voltando pra casa de ônibus depois de sair da faculdade, comecei a sentir que algo não estava muito bem. Sentia um desespero e não sabia o porquê. Não era uma tristeza sem motivo, como nos textos escritos essa semana pela Carol S e pela Liliane Prata. Era um desespero que beirava o niilismo. De repente a vida parou de fazer sentido, e eu não sabia porque estava me sentindo daquele jeito. Por trás dos meus óculos de Willy Wonka, eu só queria chorar. Mas adivinha? Não consegui, as lágrimas não desciam. Isso é injusto. Quando eu tô mal e quero fazer a única coisa que me deixaria um pouco melhor momentaneamente - chorar - isso me é impedido.

Decidi que, quando chegasse em casa, teria que fazer alguma coisa. Precisava sair. "Pra onde? Eu não saio... O shopping vai ter que servir." Eu tava sem dinheiro (OH! Novidade...) e precisava de um pretexto para ir ao shopping. "Vou comprar tinta de cabelo." Fui.

O shopping foi pior que o ônibus. Eu estava me sentindo estranha fisicamente. Como se eu estivesse abandonando meu corpo, estava relativamente alheia ao que estava acontecendo dentro de mim. Estava me sentindo mesmo na música "Unwell": "Eu não tô louca, só não tô muito bem..." Mas sei, no fundo, que esses surtos leves e inofensivos podem ser o princípio de algo grave. Preciso de um psicólogo. Talvez escrever não possa me curar 100%, apesar de me ajudar bastante. Fiquem tranquilos, leitores: não abandonarei vocês (pelo menos por enquanto).

Descobri que sou um perigo para mim mesma. Ficar sozinha me enlouquece - quase que literalmente. Preciso que pessoas me distraiam. Pessoas ou livros. Ontem, no surto no meio do shopping, só me acalmei ao entrar numa livraria. Esqueci totalmente dos meus dilemas, do meu desespero, da minha inferioridade. Só pensei em mim mesma comprando e lendo vários exemplares.

Ah, e eu pintei o meu cabelo. Ser loira dá muito trabalho e eu cansei de tentar chamar a atenção pelas minhas madeixas claras. Desde pequena achava que, como dizia o filme da Marilyn Monroe, os homens preferem as loiras. Nos 9 meses que fiquei loira, não chamei mais a atenção de maneira alguma.
Por isso, agora estou "pseudo-ruiva". Meu cabelo está acaju acobreado. Depois posto uma foto nova. Isto é, se eu não surtar - de vez - antes.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fracasso?

Para a autora: este é o desfecho da história.

"Já sabe o que é cair,
Ao menos tentou ficar de pé"
"Fracasso" - Pitty

Não considero isso um fracasso. Beleza, não consegui o que queria, mas acho que fui corajosa o suficiente para poder pelo menos tentar. Não fiquei me iludindo e fui direto ao ponto. Recebi uma delicada resposta negativa, mas poderia - por que não? - ouvir/ler um "sim". Isso não é um "final infeliz". É só a possibilidade de um novo começo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Auto estima e pseudo-cults

Ontem conversando com um amigo meu, ele falou uma coisa que eu nunca tinha reparado: a auto estima é um dos grandes males do mundo. Passando por uma pichação na rua, o meu amigo começou a falar mal dos pseudo-cults, aqueles babaquinhas que acham que são inteligentes porque botam frases de autores consagrados no nick do msn e ficam dando um monte de informações aleatórias sobre cultura como se você estivesse interessado naquilo - e, o que é pior ainda, como se aquele bando de informações estivesse correto. A pichação era uma coisa totalmente sem sentido, com vírgulas nos lugares errados e sem concordância nenhuma. Mas o cara que escreveu aquilo com certeza era um pseudo-cult e estava se achando o máximo por pichar algo "inteligente" - por que algumas pessoas acham que quem é inteligente deve falar coisas sem sentido e incompreensíveis? NÃO, cara, NÃO!!! Olha o probleminha...

Enfim. Aí o meu amigo falou algo do tipo: "A auto estima é uma m. O pai fica dando incentivo pro pseudo-cult, dizendo que o filho é inteligente e talz e é nisso que dá!". Pensei e fiz coro: "A auto estima é o primeiro passo para a megalomania...". Nunca parou pra pensar nisso? É verdade, cara - pelo menos na minha singela opinião.
Obviamente isso é uma zoação - minha auto estima não é lá em cima e é legal brincar um pouco com os seus problemas. Sei que a baixa auto estima também gera megalomaníacos (acho que Hitler era uma prova disso).  Mas fala a verdade: auto estima muito lá em cima em pessoas que não são tudo isso irrita, não?

A maldição do queijo cottage


No post sobre o ônibus expresso, falei que tinha comido no café da manhã pão com queijo cottage ao invés do tradicional pãozinho com manteiga derretida. O Ian, no comentário, disse que tinha sido o queijo o culpado pela minha viagem de ônibus esdrúxula.

Obviamente era zoação, então não levei a sério. Mas então adivinhem: hoje comi pão com queijo cottage de novo, e o meu dia tá bizarro demais. Beleza, não vim num ônibus lotado; mas hoje, pela primeira vez na vida - ou pela primeira vez nos dois anos e meio que sou diabética -, esqueci de tomar a minha insulina que faz efeito ao longo do dia. Tô com a minha outra insulina aqui, ela até pode quebrar um galho e permitir que eu não entre em coma, mas não é a mesma coisa...

Aí eu cheguei na faculdade. Acordei às 04h30 da manhã, peguei o ônibus de 05h40, cheguei aqui às 06h50 para... chegar na sala e descobrir que não ia ter aula. Não estou culpando a professora, que tenho certeza que faltou por algum motivo grave. Estou culpando o queijo cottage. Infelizmente, essa aula das 07h é a única aula que eu realmente gosto hoje - ou seja, meu dia ainda pode (e vai) ficar pior.

E ainda tem mais: tô com cólica e meus pés tão doendo, porque andei MUUUITO ontem.
Nunca mais como queijo cottage no café da manhã...

Memorial (e não é de Maria Moura, Júlia!)

Tive que fazer um memorial para a aula de Produção de Texto 2. Gostei tanto que cá está ele (para quem não sabe o que é um memorial, é quase um "currículo em prosa").

Sempre tive uma necessidade muito grande de me envolver com histórias. Minha bisavó me contava várias, minha mãe lia para mim outras tantas, assistia-as incansavelmente na televisão. Quando ninguém podia me entreter com ficções, eu mesma inventava as minhas - o que acontecia com tanta frequência que a realidade se misturava com fantasia e, até hoje, não sei se algumas memórias foram vividas ou se foram fruto da minha imaginação. Aos seis anos, ao perceber que podia ler um livro ao invés de inventar histórias, me encantei pela literatura. Aos 9, aprofundei-me um pouco mais ao ler a saga “Harry Potter”, que me levou a livros mais volumosos. Em 2006, com treze anos, comecei a ler clássicos, como “O morro dos ventos uivantes”, “Lolita” e “Lira dos Vinte Anos”. No mesmo ano, ao assistir as aulas da professora Juliana Izabeli Bulhões, de língua portuguesa, identifiquei-me com a matéria e, a partir daí, unindo a admiração pela leitura ao interesse pelo estudo da língua portuguesa, decidi cursar a faculdade de Letras.

Devido a uma série de acontecimentos marcantes e à própria leitura, comecei a escrever como uma forma de saciar minha necessidade de expressão. De 2004 a 2007 escrevi um grande número de poesias e, em 2006, fiquei em 2º lugar num concurso de poemas oferecido pela minha escola. Em abril de 2010 criei um blog (www.pessoaesdruxula.blogspot.com), no qual escrevo reflexões diárias, e, em julho, comecei a escrever outro, paralelamente: http://www.minhasepifaniasalheias.blogspot.com/. Neste segundo, que já foi visitado e comentado pela Liliane Prata, autora de livros infanto-juvenis e colunista da revista Capricho, escrevo frases, trechos de músicas, filmes e textos, todos criados por outras pessoas. Como diz o nome do blog, são pensamentos com os quais me identifico e, como são muitos, preferi criar um lugar só para eles, ao invés de escrevê-los no Pessoa Esdrúxula.

Em 2009, prestei vestibular para a PUC-Rio (Bacharelado em Português, Inglês e Literaturas Correspondentes) e para a UERJ (Licenciatura em Português e Literatura Brasileira); na primeira, passei em oitavo lugar e na segunda passei em quarto, tendo a minha redação ficado entre as dez melhores do concurso – minha nota, 18,5, foi alcançada por menos de uma dezena de candidatos. Comecei na PUC e, devido à sua excelente infra-estrutura, à afinidade estabelecida com os professores e às amizades que fiz, optei por ali continuar e não ingressar na UERJ.

No primeiro período da faculdade, me identifiquei com as matérias de Português Padrão, Formação do Leitor e Inglês (nível 4). Como nunca fiz curso de língua inglesa e grande parte do meu conhecimento a respeito desse assunto é proveniente de músicas, filmes e jogos nesse idioma, fui destinada a um nível intermediário de estudo. Apesar disso, consigo interagir sem grandes problemas com falantes do inglês, assim como também posso conversar normalmente com nativos de países de língua espanhola, idioma que estudei no colégio de 2003 a 2009.

Atualmente estudando cinco disciplinas relacionadas à literatura, pretendo me especializar nessa área do curso. Tenho um grande interesse em seguir carreira acadêmica e já pondero algumas teses para defender nas minhas pós-graduações. Evidentemente, não há nada definido, mas gostaria de estudar o escritor irlandês Oscar Wilde, autor do meu livro preferido, “O retrato de Dorian Gray”. Tenho vontade também de me especializar na questão da dita “literatura comercial” e em todos os gêneros que ela engloba – romance policial, literatura feminina, auto-ajuda, entre outros. Creio que os best sellers tenham uma enorme importância, não necessariamente pelos seus respectivos conteúdos, mas pelo fato de que introduzem as pessoas no universo literário (e falo isso por experiência própria, já que, como foi dito, ingressei mesmo na literatura através de um livro “comercial”). E, para mim, se tratando da entrada no mundo da literatura, não é relevante se o leitor escolhe algo “bom” ou “ruim”; de acordo com suas experiências de vida e com o próprio passar do tempo, ele vai discernindo o que é melhor para ele ou não. O importante é ler.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pensando no amanhã (presa num engarrafamento)

18h - a bordo de um ônibus lotado, na Gávea, presa num engarrafamento tão ferrenho que posso escrever tranquilamente, sem precisar me preocupar se a minha letra ficará inteligível ou não.

Depois de tanto sermão (para os meus leitores e para mim mesma), fiz o que aconselhei as pessoas a não fazerem: me precipitei. Meti os pés pelas mãos (de novo! Será que vou ficar me afobando eternamente? É possível. Como diz o Dr. House, "People don't change"; ao mesmo tempo, como disse o Felipe Neto, "As pessoas mudam o tempo todo, o que é um tapa na cara do Dr. House"). Por que eu fiz isso? Uma proposta me gerou uma dúvida e, para transformar a dúvida em certeza, decidi te contar logo o que eu (acho que) sinto. E agora que não nos encontramos não sei se foi porque você talvez esteja me evitando ou porque o "destino" quis. E para piorar tudo, não tenho uma resposta...

"Psicótica!", dizem meus leitores. Tá, não tiro a razão deles: sou e assumo, mas tô tentando ser um pouco menos. Te contar foi uma ação primeiramente corajosa - e, segundo Coraline - foto ao lado -, personagem do livro homônimo de Neil Gaiman, "Coragem é fazer algo que você não quer para evitar outra que você quer menos ainda."; em segundo lugar, foi uma ação, ahn... "relaxada". Não entendeu? Simplesmente liguei o "dane-se (eufemismo) e seja feliz". Declarei a mim mesma: você não tem nada a perder. Na verdade eu tinha o início de uma amizade. Bem, eu já fiquei a fim de "amigos iniciantes" e vi depois que o meu sentimento era mais um anseio pelo novo que pela pessoa em si. É possível que tenha acontecido isso comigo em relação a você. Possível, mas não provável.

Não ter uma resposta, escrita virtualmente ou dita face a face, me incomoda mais. É verdade que eu não queria te encontrar hoje, então não tenho muito do que reclamar. Uma conversa amanhã, quando poderemos falar com calma, será melhor. A questão é: eu vou te achar?

Eu decidi te contar logo para desfazer uma dúvida. Eu quero saber logo se eu tenho chances. Se eu não tiver, pra quê ficar me iludindo? Vou partir pra outra, né...

Amanhã pode ser o dia que vai mudar a minha vida. Tá, fui dramática demais. Mas amanhã pode ser um dia decisivo - mesmo se você disser "não".

domingo, 22 de agosto de 2010

A música dos meus surtos...


Vocês lembram que, há alguns textos atrás, eu falei que ia surtar? Então. Dia desses tava escutando "Unwell", do Matchbox 20, e vi que ela é (ou vai ser) a música dos meus surtos. Leia e tire suas próprias conclusões:

 

Unwell

All day staring at the ceiling
Making friends with shadows on my wall
All night hearing voices telling me
That I should get some sleep
Because tomorrow might be good for something

Hold on
Feeling like I'm headed for a breakdown
And I don't know why

(Chorus)
But I'm not crazy, I'm just a little unwell
I know right now you can't tell
But stay awhile and maybe then you'll see
A different side of me
I'm not crazy, I'm just a little impaired
I know right now you don't care
But soon enough you're gonna think of me
And how I used to be...me

I'm talking to myself in public
Dodging glances on the train
And I know, I know they've all been talking about me
I can hear them whisper
And it makes me think there must be something wrong with me
Out of all the hours thinking
Somehow I've lost my mind

(Chorus)

I've been talking in my sleep
Pretty soon they'll come to get me
Yeah, they're taking me away

(Chorus)

Não Muito Bem

Durante todo o dia olhando para o teto
Fazendo amizade com as sombras na parede
Durante toda a noite ouvindo vozes me dizendo
Que eu deveria dormir um pouco
Pois amanhã pode ser bom para alguma coisa

Espere aí
Sinto que estou em indo em direção a um ataque nervoso
E eu não sei por que

[Refrão]
Mas eu não estou louco, só não estou muito bem
Eu sei que agora você não pode dizer
Mas fique por aí que talvez você vá ver
Um outro lado meu
Eu não estou louco, só um pouco enfraquecido
Eu sei que agora você não se importa
Mas logo você vai pensar em mim
E como eu costumava ser... eu

Eu falo comigo mesmo em público
Evitando olhares no trem
E eu sei, eu sei que todos estão falando de mim
Eu posso ouvir os sussurros
E me faz pensar que deve ter alguma coisa errada comigo
E de todas as horas que eu fiquei pensando
De alguma forma perdi minha cabeça

[Refrão]

Tenho falado durante meu sono
Logo, logo, eles virão me buscar
Yeah, eles estão me levando para longe

[Refrão]

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Aventuras de uma jovem universitária a bordo de um ônibus expresso

"Ônibus - não!
Quê que eu 'tô fazendo aqui,
Nesse ponto de ônibus;
Essas pessoas paradas aqui,
Nesse ponto de ônibus;
Quando eu tiver dinheiro,
Eu prometo a mim mesmo que
Eu só vou andar de taxi
Ainda se o tempo não tivesse mudado,
Ainda se o ônibus tivesse parado
E esse cara, aqui do meu lado,
Fica me olhando com cara de tarado
O motorista não foi nada educado,
Passou na poça e me deixou encharcado
Parou à frente, super-lotado
E o cobrador que nunca tem trocado"

"Ponto de ônibus" - Ultraje a Rigor

Quando eu acordei hoje, acho que já sabia que o dia seria meio diferente... Eu estava meio atordoada, sem saber se o Selton Mello e a Mallu Magalhães realmente estiveram na minha casa ou se aquilo tinha sido um sonho (obviamente, era a 2a opção) e comecei a relembrar meu sonho todo. Até aí, beleza. Só que, depois disso, eu comecei a quebrar pequenas rotinas. Ao invés de passar a base da Avon que sempre passo, usei um pó compacto - que, tenho que admitir, ficou bem melhor que a minha velha base. Ao invés de comer meu tradicional pão com manteiga derretida, comi um pão com queijo cottage. E aqui começa esse post: ao invés de pegar meu tradicional ônibus, optei por pegar um expresso (eu saí de casa 10 minutos atrasada e imaginei: "Pronto, ferrou. Não vou poder postar meus textos antes de ir pra aula." É que é quase um ritual pra mim fazer isso...).

Primeiramente que eu não consegui entrar direito. Fiquei no primeiro degrau, com o motorista querendo fechar a porta e não conseguindo por causa da minha mochila, que tive que jogar naquele, ahn, espaço negro que fica do lado direito do motorista. Aí o cara conseguiu fechar as portas, amassando a minha traseira. Aliás, um cara estava com a coxa direita exatamente na minha nádega esquerda - se vocês nunca pegaram um ônibus, trem, metrô ou van nesse estado, nem tentem entender o que passei... Enfim. Para piorar a situação, tava começando a ficar calor e o sol tava na minha cara, mas - oh não! - não estava me impedindo de ver; então, vi meu ex indo pro colégio. Tá, não é algo tãããão ruim assim, mas, dentro do contexto (estar espremida num ônibus às 06h45 da manhã, cheia de calor, com um cara roçando a perna na sua bunda), foi a cereja do sundae que faltava. Para completar, o meu mp3 velho de guerra estava com o fone péssimo - só para variar - e, bizarramente, quando ele tá com mau contato, não para de funcionar completamente: você escuta os instrumentos, mas não a voz. Dessa forma, escutei as guitarras, baterias e baixos de algumas músicas dos Ramones e de "You only live once", dos Strokes.

Eis que uma alma quer descer e - adivinha? - ela não tem como passar a roleta. Então ela entrega o RioCard dela pro cobrador (um ser que não tinha conseguido visualizar até então, porque tinham umas 20 pessoas só antes da roleta) e desce pela frente. Só que quando ela desceu, obviamente esbarrou em mim, derrubando a minha pulseira linda de R$1,99 que eu comprei ontem. O adorno do meu braço foi para fora do ônibus e eu nem tentei pegar - o motorista provavelmente fecharia a porta com o meu braço pra fora.

Depois de alguns minutos, como se alguém tivesse aberto um buraco no fundo do ônibus, eu consegui ver não só o cobrador, mas o mundo inteiro que estava atrás da roleta. E não só eu consegui ver os bancos: eu consegui ver os bancos VAZIOS! Passei a roleta e sentei. Logo depois, uma mãe decidiu passar com seu filho de, no máximo, 5 anos. A criança passa a roleta e começa a dançar no ônibus com a mãe gritando atrás: "ARNOLD! ARNOLD! VOLTA AQUI, MENINO! PARA DE DANÇAR PRO ÔNIBUS!" Isso tudo antes das 8 da manhã...

Felizmente, meu dia melhorou depois dessa viagem esdrúxula. Cheguei na PUC às 8 e encontrei a Bella - por um milagre do destino - e fomos ver os vídeos do Angry Videogame Nerd no laboratório de Mac's da faculdade. Quando fui pra aula (Literatura e Interfaces, uma comparação da literatura com o cinema), consegui me certificar que o dia não estava totalmente perdido. Sim, eu sou CDF e gosto das aulas...

Preciso ir, povo. Só queria mesmo compartilhar com vocês uma viagem incomum. Algum dia ainda vou falar das minhas viagens comuns...

Beijos, queridos leitores!

I just need(ed) someboby to love...

Não preciso de uma resposta sua. O mais importante pra mim não é se você vai me retribuir ou não, mas exatamente isso que eu tô sentindo agora: eu me sinto bem só de estar meramente a fim de você (Gostar é uma palavra muito forte; paixão ou amor, idem. Falei, no último post, que estava apaixonada, mas, analisando bem, acho que não estou, usei esse termo porque é mais prático mesmo). Eu não preciso de longos diálogos, eu não preciso de toques, eu não preciso ser correspondida – pelo menos não agora. Tô aproveitando esse meu momento de retrocesso aos 10 anos, quando tive minha primeira paixão platônica (que durou intermináveis 2 anos). Não creio que eu esteja te idealizando; talvez eu esteja idealizando situações, mas, como Dumbledore diz em “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, “Isso está acontecendo na sua mente, mas por que significaria que não é real?”.

Não tenho muitas expectativas quanto a você, duvido muito que um relacionamento entre nós daria certo; mas é como é cantado em “Forever Young”, do Alphaville: “Hoping for the best, but expecting the worst”. Se, por acaso, algum dia acontecer algo entre nós, não vou rejeitar nada, que não sou (totalmente) maluca. Se não acontecer, pelo menos eu já vivi na minha mente...

E se eu não morresse amanhã?

Obs.: O título do post é baseado no poema “Se eu morresse amanhã”, do Álvares de Azevedo (poeta brasileiro da 2ª geração romântica).

Sempre tive uma ânsia muito forte por aproveitar minha vida ao máximo, viver cada dia como se fosse o último, ver “o lado bom do lado ruim” (se você não conhece o desenho “Ruby Gloom” - foto ao lado-, essa frase é da abertura do programa. E procure ver, é muito fofinho!). Tudo isso porque eu não quero ter muitos arrependimentos quando eu for embora desse mundo. Com esses pensamentos, comecei a atropelar tudo, comecei a fazer algumas coisas antes do tempo com a frase “E se eu morrer amanhã?” soando na minha cabeça. Mas e o contrário? E se eu não morrer amanhã?

Uma das coisas que agora eu tenho em mente é que tudo tem seu tempo. Não estou dizendo de forma alguma que devemos ficar sentados vendo a vida passar porque “o que tiver que acontecer vai acontecer”. Não! Mas não é pra gente ficar desesperado com coisas de um futuro distante; não é pra gente atropelar um relacionamento; não é pra gente querer fazer mil coisas ao mesmo tempo. Vamos aprender com a Mamãe Natureza e vamos pensar que quando fazemos coisas fora do seu tempo, é como se estivéssemos comendo uma fruta verde. E mesmo que fosse o último dia da sua vida, você gostaria de comer uma manga (ou uma goiaba, uma banana ou qualquer fruta da sua preferência) que não estivesse madura? Provavelmente não, mesmo que fosse sua comida preferida. Ainda que comesse, o gosto não seria tão bom... Por isso a importância de esperar (mas também não podemos esperar muito: imagino que comer uma fruta podre não deva ser nem um pouco agradável).

Se você fizer uma m. gigantesca pensando “Ah, mas eu nunca fiz isso! E se eu morrer amanhã?”, reflita no oposto: “E se eu não morrer amanhã?”. Aí você vai ter que arcar com as consequências da m. gigantesca... Existem coisas para as quais é válida essa frase “E se eu morrer amanhã?”. Comer algo novo, passar por um caminho diferente, conhecer uma pessoa nova etc. Mas o meu foco aqui é nos relacionamentos e o meu conselho é: espere a fruta ficar madura para degustá-la. Senão você pode ter uma dor de barriga horrível no dia seguinte :D

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Fragmento enigmático



“Farmácia” vem de “phármacos” (e não sei se essa origem é grega ou latina; aprendi isso na aula de Cultura Greco-latina...) e a professora, por algum motivo que não lembro qual, ao falar sobre isso, falou sobre os remédios que, no fundo, podem matar ou curar – tudo depende da quantidade que você toma. Se você tomar muito pouco, não vai fazer efeito; se você tomar muito, sua saúde pode ficar pior do que estava quando você começou. O remédio pode te curar daquele problema e te trazer um outro totalmente diferente. Ou o remédio pode funcionar perfeitamente.

E foi sobre a minha paixão pseudo-platônica que eu pensei ao ouvir isso... Não sei se você é tarja preta ou homeopatia. Não sei se o que vai me curar vai ser o remédio em si ou a ideia da cura (entendem? É a ideia do placebo: o que te cura não é o remédio em si, é a “fé” que você bota no remédio). Não sei em qual intensidade vou te tomar, se é que vou te tomar – afinal, nesse caso o remédio também tem vida própria... Não sei se ficarei internada por um tempão ou se isso é só uma breve visita ao médico.

Finalizando esse fragmento (des)ordenado, posso resumir isso em: você é a cura (do quê? Eu tenho que assumir que não sei ao certo...) ou será apenas mais um remédio que agravará a doença? Tenho um pressentimento que é a segunda opção. A minha intuição já falhou antes, mas também funciona às vezes. E agora? O que fazer? Isso depende de você.

Observação: como foi dito na aula de Produção de texto 2, a escolha das palavras nunca é aleatória...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

É quase oficial: estou apaixonada


Chega a ser patético. Eu me firmo em cada ínfima esperança de que você possa vir a gostar de mim. Fico feliz a cada fato. Transformo o fato em argumentação, exerço o ponto de vista e vejo uma chance em algo que é imparcial. Duvido que existam segundas intenções nas suas atitudes, mas, ao mesmo tempo que duvido, espero que existam. Maldito sentimento paradoxal! Eu não sei o que é isso, talvez seja apenas uma ideia louca do meu cérebro: “Ah, vai lá, Ju! Você já ficou tempo demais sem estar apaixonada por ninguém. Vai se machucar um pouquinho, vai! Olha, esse aqui é perfeito. Começa a gostar dele. Tenha uma paixão platônica por um cara que nem sabe o seu nome.” Agora você sabe o meu nome, mas não sei se evoluímos algo além disso. Não sei se quero que descubra os meus sentimentos em relação a você. Não sei se quero que você leia esse texto. Se isso está sendo postado, é porque eu sei que você não vai se identificar com o que está escrito aqui, então – ufa! – meu segredo está a salvo.
Eu não tenho a arte da conquista – sou totalmente inexperiente nisso. Se eu decidir investir em você, perdoe-me a falta de jeito. Não sei como fazer isso. Recebi algumas dicas que até podem funcionar, mas vou me sentir artificial pondo-as em prática. É um total clichê dizer isso, mas vou tentar ser eu mesma.
E agora preciso ir: como você sabe, acordo às 04h30 da manhã pra poder chegar à faculdade. Já perdi uma hora de sono escrevendo-lhe esse breve desabafo. Já calei meu desejo de contar-lhe tudo. Como esse desejo será recorrente, ainda escreverei alguns textos mais para você.
Ps.: esse texto não foi escrito pro Felipe Neto!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O desespero da espera e suas reflexões

Fixo meus olhos no texto, mas é impossível prestar atenção. Não consigo, não quando você pode chegar a qualquer minuto. No fundo eu sei que você vai chegar e eu sei que você não vai. É um paradoxo, mas acho que é um tipo de certeza comum a todos nós humanos.

Você não chega (eu sabia que não viria!). E eu olho pros pés alheios e olho sobre o ombro e olho sobre a mesa e olho tudo o que a minha visão alcança. E você não tá aqui! Meu coração dispara quando vejo um vulto se aproximar, ou quando sinto um esbarrão na cadeira. Eu falei que não ia me apaixonar de novo, mas - como já deu pra ver - eu sou péssima em seguir os próprios conselhos. Pena. Vou sair chamuscada, queimada, dilacerada, perdida e louca de mais uma paixão? Só o tempo me responderá essa pergunta quase retórica. Quase te peço para não me corresponder, mas nem sei se é necessário. Acho que isso não vai pra frente mesmo. E, se eu sei disso, por que meu coração se aperta quando te vejo? Masoquismo? Deve ser; eu não encontro outra razão.

Eu sabia! Você não veio...

A vampira de Stephenie Meyer

O texto a seguir não foi escrito apenas pela minha imaginação. Fui inspirada por uma situação concreta.

Todos os olhares se voltam para ela. A culpa não é nem da menina/mulher nem dos donos dos olhares; afinal, ser bonita não é crime para haver alguém a culpar. No entanto... sua beleza é algo incomum neste mundo. Não diria que há algo propriamente vampiresco, mas definitivamente ela tem um ar de criatura mágica. O que ela tem de comum com os vampiros de Stephenie Meyer? Além da beleza absurda, há algo um tanto frio em relação a ela. O ar que ela exala não é quente como o de todos nós; é frio, ou melhor, fresco. Agradável, mas estranho.

Não me surpreenderia se ela me dissesse que é uma Cullen.

Eu e Audrey Hepburn

Há algum tempo, depois de ver filmes, fotos e de ler a biografia da Audrey Hepburn, vi que tenho alguns traços físicos em comum com a diva do cinema. E o mais engraçado é que são os traços que eu mais odeio em mim. Audrey era extremamente magra, tinha pouco busto, tinha orelhas de elfo (as orelhas dela são exatamente iguais às minhas!) e tinha cabelo castanho; não que isso seja um defeito, mas eu não gosto muito de cabelos castanhos... são meio comuns. Por isso pintei meu cabelo de loiro (mas já cansei e quero ficar ruiva agora).

Mesmo com todas essas características (vistas como defeitos na nossa sociedade), Audrey já foi considerada a mulher mais bonita do mundo. Eu deveria me inspirar nela e parar de ligar para os meus "defeitos" físicos...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dormindo com autores e Florentina

Momento de bizarra comparação: ontem eu tava lendo um texto sobre o Almeida Garrett, o cara que inaugurou o romantismo português. Aliás, passei meu dia inteiro ontem com ele... Li um texto sobre a vida dele e depois fui terminar "Frei Luís de Sousa" (a minha mãe falou que tinha sido o pior livro que ela tinha lido na vida... mas foi só porque ela leu na 8a série e não entendeu nada. Eu gostei bastante dessa peça de teatro). Ao fazer faculdade de Letras, você começa a dormir com alguns autores - metaforicamente, claro. Antes de fazer uma prova de português, eu sempre dizia que tava dormindo com o gramático X ou Y: você estuda tanto que acaba dormindo em cima do livro, da gramática, da apostila, das xérox... Enfim: ontem dormi com Almeida Garrett.

Mas o que eu queria dizer mesmo é que, ao ler um fragmento de um poema dele, veio automaticamente uma música popular na minha cabeça. Eis o poema:

"Coquette dos prados
Rosa, linda flor,
Porquê, se não sentes,
Inspiras amor?"

Não identificou com nenhuma música? Veja a seguir então:

"Florentina, Florentina
Florentina de Jesus
Não sei se tu me amas
Pra quê tu me seduz?"

Viram?

Brechós


Eu sou totalmente apaixonada por brechós. Não tenho muito dinheiro, então, quando eu compro o que quer que seja, prefiro comprar barato, e os brechós me auxiliam muito nisso.
Já queria fazer um post sobre essas lojinhas que eu tanto amo há um tempo. Mas só fui impulsionada mesmo a fazer depois que conheci o blog  e que comecei a me corresponder com a Manu, a dona do blog http://guiadebrechosdorio.wordpress.com/ e autora do livro “O Guia de Brechós do Rio”, que ainda não foi lançado. Enfim. Posto a seguir alguns dos meus achados em brechós, com os respectivos preços:



Blusa rosa caveirinha – R$ 6,50
Saia Jeans – não lembro, mas foi entre R$ 4,50 e R$ 7
Saia preta e roxa – R$ 1
Saia xadrez vermeha – R$ 8,50
Blusa Brasil – R$ 4,50
Saias pretas de festa – R$ 12 cada
Corselete lilás – R$ 12
Vestido preto – R$ 4
Bolsa Théâtre Musical (by Colcci) – R$ 1
Bolsa de poá (não comprei em brechó, foi em Madureira, mas tive que incluir...) – R$ 8

E como não poderiam faltar, meus achados literários:
Jane Eyre – R$ 1,50 (numa edição anterior a 1964!)
Biografia da Audrey Hepburn – R$ 5
Samantha Sweet, executiva do lar – R$ 5 (acho que, numa livraria, você não compra por menos de 50 reais...)
Madame Bovary – R$ 2
Harry Potter e a Pedra Filosofal – R$ 3,50 (acho que foi o meu maior achado!)
Tem muito mais, mas fiquei com preguiça de postar tudo... Só mais alguns: “Incidente em Antares” (Érico Veríssimo) por R$ 8,50; “A mãe do Freud” (Luís Fernando Veríssimo) R$ 3; “O Homem que matou Getúlio Vagas” e “O Xangô de Baker Street (Jô Soares) R$ 12 cada; “O Fantástico Mistério de Feiurinha” (Pedro Bandeira) R$ 2; fora todos os livros da Agatha Christie, que você encontra em brechós por preços que variam de R$ 4,50 a R$ 8,50. E se fosse postar também todos os livros que troquei... nossa, seria um post quase eterno!
Gostou? Conhece algum brechó legal? Me manda o endereço!
Ps.: desculpem-me pela péssima qualidade as fotos. Não sei tirar fotos boas...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

E se o Anjo da Morte chegasse pra te buscar?


Eu estou sendo perseguida por um tema/assunto não muito agradável ultimamente: a morte. O destino último de todos os seres vivos que habitam esse planeta. O desejo (alcançado) dos poetas ultrarromânticos. A única certeza que temos na vida. Aliás, que coisa engraçada, né? A única certeza que temos na vida é a sua antítese. Enfim. Fui acometida por quatro reflexões sobre a morte e vou logo avisando que não tenho grandes e definitivas epifanias para relatar-lhes. São apenas quatro casos sobre a morte que acabaram cruzando o meu caminho nos últimos três dias.
A primeira: nesta 3ª feira, na aula de Produção de Texto II, estávamos discutindo técnicas de argumentação. A Cláudia, nossa professora (sem dúvida nenhuma a professora mais divertida e dinâmica que nós temos), leu um texto da Lya Luft no qual o Anjo da Morte chega para buscar um cara e ele tem que provar pro Anjo por que merece viver. E, como exercício de argumentação, tivemos que elaborar três respostas que daríamos à Morte se ela pedisse razões para manter a gente vivos (por isso que eu adoro tanto essa professora: a gente tem que argumentar com a Morte na aula dela! Olha que esdrúxulo!). Aí comecei a pensar: se eu estivesse cara a cara com o Anjo da Morte, o que eu diria pra ele?
* Primeiramente, diria que, se a vida só me é dada uma vez, tenho que aproveitá-la ao máximo. Não me importa se há algo após aqui ou não. A questão é que, mesmo que eu vá pra outro lugar, aqui na Terra eu só tô uma vez. Como eu ainda sou nova, ainda não tive oportunidades para fazer tudo o que quero ou tudo o que eu tenho direito. Seria injusto me levar agora.
* Em segundo, eu gosto de viver. Por que não fazer uma coisa meio “Jogos Mortais” e levar quem não gosta de estar aqui?
Eu não tinha conseguido pensar em um terceiro argumento na hora da aula. Mas depois pensei em um: ainda não conheci o Felipe Neto :P
O segundo caso foi eu começar a reler "Memórias Póstumas de Brás Cubas" para a aula de Literatura Brasileira II. E o que eu gosto desse livro é que a morte não é vista de um modo negativo. Aliás, é quase um detalhe. Eu sempre esqueço que o Brás Cubas tá morto (e isso não é um spoil. Ele começa o livro narrando a morte dele. Por isso que eu amo Machado de Assis: o cara era um gênio! Ele começa do final!!)
O terceiro caso foi ontem no ônibus. Eu sou meio paranóica no ônibus, então acho que posso levar um tiro e morrer a qualquer hora. Escrevi o seguinte texto no verso no meu “A Hora da Estrela” (não tinha outro lugar para escrever...):
“Não sei se é ele. Nunca o vi; como reconhecer alguém (ou algo) que nem vi? Já me enganei antes. Estarei enganada agora? Espero que sim. Preconceitos e sustos devido a um excesso de zelo me enganaram.
Ele vem. Sinto um medo físico mesmo: um calor queima no meio dos meus pulmões. Mas ele passa. Inofensivo. Me enganei de novo.
Ainda bem.”
O quarto foi ainda no ônibus. Se você não leu “A Hora da Estrela” e pretende ler, pare por aqui que eu vou mandar um spoil gigantesco. Ok. Pra quem não sabe, esse livro trata da história da Macabéa, uma mulher que... nem sei explicar. Ela é a realidade de tanta gente que me espanta. Acho que todos deveriam ler esse livro, porque a Clarice Lispector transcreve com maestria o que é a vida das pessoas mais humildes da sociedade. Então, quando a Macabéa morreu, eu fiquei aliviada e chocada. Aliviada porque parece ser a única solução não dolorosa. Chocada porque... também não sei explicar. Realmente não faço ideia. Só sei que, quando li “Macabéa morreu”, quase chorei por aquela personagem pela qual nutri tanta simpatia. Mas a morte é melhor em alguns casos. A vida, segundo o narrador deste livro, é um soco no estômago. A morte é um encontro consigo e é só um instante. Reclamamos tanto da vida e repudiamos tanto a morte... Deve ser o medo do desconhecido. O negócio é aproveitar enquanto podemos, para não ficar implorando pateticamente para o Anjo da Morte depois. Ninguém nunca tá pronto pra essa visita (mais indesejada que menstruação). Mas talvez, quando ela chegar, pense que talvez realmente seja a hora e não a repudie tanto. Abrace-a. Não a procure, mas pense que, se você está reclamando da vida, se está cansado e só quer ficar deitado dormindo na cama pra sempre, a morte lhe será a melhor saída. Agora, se você gosta de viver... lute contra a morte até quando você não puder mais vencê-la. E viva, não apenas sobreviva. Viva, viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

What's this?


A língua coça para eu dizer. O esforço que faço é quase físico mesmo. Luto contra mim mesma para não sair falando aos 4 cantos do universo que eu estou... o quê? Perdida numa paixão platônica? Acho que não. Tenho chances, ainda que poucas; não é um amor impossível. Êpa! Amor? Quem falou em amor? Não, não é amor. Não é aquele sentimento incontrolável, altruísta, extremo... Deve ser uma paixão mesmo, mas é uma paixão estranha. Cadê o fogo? Paixão que se preze tem fogo, né? Será que estou meramente a fim? É, pode ser. Acho que fica entre o estar a fim e o gostar. Ou não, eu não entendo o que se passa dentro de mim.
Não estou sendo hipócrita (se você leu meu último texto, sabe do que estou falando); apenas estou sendo paradoxal, ou seja, estou sendo humana. Ainda acho que o amor é um produto. Mas convenhamos: não é porque é um produto que é ruim. Lady GaGa é um produto, chocolate é um produto e o Natal é um produto. E todas essas coisas são maravilhosas. Sabe o efeito do... eu não sei se é do ponteiro ou algo assim... onde uma coisa vai pra um extremo, depois pra outro, até se normalizar? Passei minha vida toda num extremo romântico. Depois vi, mesmo que tenha sido por apenas três dias, o outro extremo. Agora tô tentando me normalizar – tadinha de mim, nunca serei normal em nenhum aspecto; nem sei por que ainda tento...
Estou quase segurando minha língua (ou meus dedos) literalmente, mas sei que ser impulsiva nem sempre é bom. Aliás, na maioria das vezes é ruim. Seguro minha voz então e os deixo na expectativa. E quem sabe, pelamordedeus, fique calado!

O maior produto de todos os tempos


A nossa sociedade é machista. A nossa sociedade é capitalista. A nossa sociedade é individualista, fútil, corrupta e o que mais você quiser incluir nessa lista. Tudo isso é criticado por todos, mas 99,99% das pessoas se esquecem de uma característica (ruim, a meu ver) que eu acho que é a mais arraigada no nosso mundo ocidental: o romantismo. A nossa sociedade é tão profundamente romântica que ninguém se dá conta disso, já faz parte de nós mesmos.
Na aula de Literatura Portuguesa II nessa semana, a professora falou que íamos estudar, ao longo do curso, as razões históricas para o sucesso do movimento literário romântico. Não sei ao certo, porque ainda não estudamos, mas a professora disse algo sobre o fortalecimento da burguesia e, mesmo que isso não tenha nada a ver com as verdadeiras razões históricas (que eu ainda não sei quais são), eu comecei a associar o romantismo com o comércio, não naquela época, mas hoje em dia mesmo.
Olhe ao seu redor. Escute. Sinta. Tudo gira em tono da nossa concepção de “amor”. Nos filmes, novelas, seriados, curtas, sitcoms, stand-up comedies, peças de teatro, vídeos no youtube, videoclipes, programas de auditório, músicas, propagandas, livros, revistas, indústrias (como a cosmética, por exemplo) etc. etc. etc., sempre tem que ter um casal, um romance ou qualquer coisa que esteja nesse universo amoroso. E não é porque o ser humano é um ser naturalmente romântico, não. É por causa da nossa maldita sociedade, que descobriu que o amor pode ser um ótimo produto. E a grande maioria das pessoas, que não percebe isso, apenas compra o amor.
Nós sabemos que a maioria esmagadora dos donos de grandes empresas que dominam o mundo (não preciso citar nomes) é meio/totalmente individualista e pensa primeiro em ganhar dinheiro para depois pensar em algum impacto negativo que seus produtos possam vir a causar nos consumidores. Com a “Indústria do Amor” também é assim. Os roteiristas, diretores, escritores, produtores, publicitários, atores, cantores, compositores, apresentadores de TV, entre muitos outros, não ligam pros problemas que o romantismo traz para a vida das pessoas. Ou não ligam ou realmente não se dão conta. Creio que poucos indivíduos vêem o romance dessa forma que eu estou vendo agora, logo, é bem capaz que esses roteiristas, diretores, etc. sejam também vítimas, e os que não são precisam vender para sobreviver. Ninguém quer ver uma novela na qual os mocinhos não terminem juntos. Ninguém quer ver um filme sem romance. Se ninguém vê, não há dinheiro circulando. Não há muita saída mesmo. Mas, voltando ao início do parágrafo, o amor é uma coisa maléfica para grande parte das pessoas mesmo. Quantos crimes passionais já não foram cometidos? Quantos suicídios já não ocorreram por causa de um pé na bunda? Quantas pessoas entram em depressão por causa do amor romântico?
Você, caro leitor, deve estar pensando agora: “Ah, mas ela só diz isso por que teve uma desilusão amorosa e não encontrou alguém ainda!” Pode ser verdade? Em parte, sim. Me decepcionei com esse sistema falho de romantismo e, epifania atrás de epifania, cheguei a essa conclusão que aqui lhes apresento sobre o amor. Em parte, agradeço por essas desilusões, pois, acreditem, fiquei BEM mais inteligente (aliás, gostaria de fazer propaganda aqui da comunidade do Orkut “Sou mais inteligente solteiro”). Mas a parte do “Só diz isso porque não encontrou ninguém ainda”... sei não. Talvez até pudesse ser verdade há algumas semanas atrás, mas agora acho meio difícil. Obviamente, não sou imune à indústria do romantismo, então posso sucumbir às suas pressões mais cedo ou mais tarde – ainda mais porque é bem difícil nadar totalmente sozinha contra uma corrente de seis bilhões de pessoas. Quem sabe se amanhã não me apaixono perdidamente por alguém e começo a sonhar em viver tudo o que estou repudiando agora? Como diria Justin Bieber, never say never. Sou humana, falha, e, acima de tudo, público consumidor.
Como mudar isso? Acho que é mais fácil conseguir a paz mundial ou erradicar a fome na África. Não há interesse das indústrias de mudar isso e não há interesse da massa, que nem sabe que o sentimento por uma determinada pessoa é fruto de um comércio de ideias e valores. Se você tiver força, nade contra a corrente; se não, se apaixone.

Malditos livros que não permitem o meu enriquecimento





Tentei ser fútil hoje e fui ao shopping comprar uma Melissa em promoção. Mas, como tudo estava bom demais pra ser verdade, a loja só tinha até o tamanho 36 e eu, com meu pezinho de irmã de Cinderela, calço 37/38. Até experimentei o sapato, mas meus dedos ficaram muito espremidos. Desisti da Melissa e pensei: “Bem, eu tenho 39,90 aqui. Posso economizar pra comprar um Ray-Ban vinho (na cidade da minha prima os ORIGINAIS são só 50 reais!!) ou posso passar na livraria...” E não tem jeito: eu não posso ir no shopping sem ir numa livraria. A minha intenção era comprar o “De Profundis / Balada do Cárcere de Reading”, do Wilde, que tava 12,90 na edição da Martin Claret, mas aí vi “Jane Austen –a vampira” e fiquei louca. Para quem não sabe do que se trata o livro, a sinopse está abaixo:
“Imagine se uma autora das mais festejadas nos dias de hoje, mas que pertence ao século XVIII, assistindo a todo tipo de adaptação de sua obra sem poder reclamar! Sem receber royalties e ainda sem conseguir publicar um único título novo? Imagine que ela se transformou em vampira, tornou-se dona de uma livraria e, de repente, Lorde Byron – o vampiro que cortou o seu coração, ao trocá-la pela psicótica Charoltte Brontë -, ressurge em sua vida causando um turbilhão de situações absurdas. E, finalmente, quando uma editora decide publicar um livro novo, sua rival, Charlotte, tenta provar que se trata de um plágio. E, o pior: tem uma cópia para mostrar!
Com direito a acontecimentos recheados de referências históricas, brigas hilárias dentro da livraria, mordidas, arremessos de Best Sellers de Stephen King; esta obra prova que um personagem clássico sempre pode ficar ainda mais interessante.”
Conheci essa obra ao assistir uma aula de mash-up literário, dada pelo professor Anderson Gomes (www.rosebudeotreno.com), e fiquei louca para ler, mas ainda não tinha chegado no Brasil. Enfim. Agora estou com mais um livro pra ler. Eu tenho mais de cem livros pra ler e isso não é uma hipérbole. São uns 30 livros do Machado de Assis, uns 6 do Sidney Sheldon, uns 20 clássicos, mais uns aleatórios que estão no meu computador, nas minhas prateleiras e na casa da minha avó, fora os que eu pego emprestado. Detalhe: desses mais de duzentos livros que eu tenho, conto nos dedos de uma mão os que eu gastei mais de 30 reais pra comprar (“Serial Killer – louco ou cruel?”, da Ilana Casoy; “Tem alguém aí?”, da Marian Keyes; “ Jane Austen – Vampira”, do Michael Thomas Ford; é... acho que é só isso...). A grande maioria eu compro em brechós, troco ou ganho.
Comprar livros pra mim é uma espécie de vício mesmo. Algumas mulheres amam sapatos, outras bolsas ou óculos escuros. Eu amo livros, e não consigo parar de comprá-los, mesmo tendo uma fila enooooorme de livros pra ler. E esse vício, como eu disse no título, não vai permitir o meu enriquecimento! Por quê? Olha, eu nunca trabalhei, então não sei como é ganhar um salário. Mas acho que vou pegar meu precioso dinheirinho e gastar tudo em livrarias e sebos. Se eu já faço isso com todo pouco dinheiro que chega às minhas mãos, imagina quando eu tiver um salário!
Pra vocês verem o tamanho da minha paixão/loucura/vício: ano que vem faço dezoito anos e não vou pedir festa, nem viagem, nem um carro: vou pedir uma biblioteca (não o espaço físico, só os livros mesmo). E o sonho mais antigo que eu tenho (desde os sete anos), é ter uma biblioteca com, no mínimo, uns 50 mil títulos. Comprando livros do jeito que eu compro, acho que até vai ser fácil chegar a isso. O problema é se outras coisas vão faltar pra mim. Eu tenho poucas roupas, poucos sapatos, poucos acessórios. Quando eu viro pra minha mãe e falo: “Mas mãe, eu não tenho roupa/sapato!” ela rebate: “É? Veste/calça seus livros agora!”. Queria ser capaz de comprar outras coisas, mas eu amo demais a leitura, os livros, ou, como diria José Mindlin, essa “loucura mansa”. Meus livros são a minha paixão mais antiga e sei que o que sinto por eles existirá enquanto eu viver. Tenho muita vontade de fazer uma tatuagem, e a única que eu tenho coragem de fazer é um livro aberto com um mundo mágico saindo de dentro dele, porque sei que o meu amor pela literatura não acabará – e vou ser uma vovó muito legal com uma tatuagem dessas.
Eu podia ficar aqui o dia inteiro falando sobre os meus livros, mas tenho que estudar Gonçalves Dias, cultura Greco-latina, Sousândrade e ler Almeida Garrett. Té a próxima!
Ps.: esses não são todos os meus livros. Ainda faltam mais de 50...