quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Oh happy day


Ontem foi um dia superfeliz, tirando a parte em que eu me matei de estudar. Me refiro às horas que passei conversando com a Tüppÿ, a menina mais fofa do universo (não, não é exagero...). Ela é a outra única pessoa que faz Bacharelado Bilíngue aqui, está sempre com roupas vintage, tem um cabelo ruivo que todo mundo acha que é natural, de tão bem que fica nela (mas shhh, não conta pra ninguém que ela pinta as madeixas!) e é suuuper engraçada.

Há um tempo atrás, eu tinha pedido para ela criar um apelido legal pra mim, porque todos aqui têm alguma alcunha genial e as pessoas só me chamam de Ju (apelido mega divertido, hein...). Ela pensou, pensou, pensou e o máximo que conseguimos foi "Ju-sem-apelido".

Pois bem. Devido a uma longa história que nem é tão longa mas que eu tô com preguiça de contar aqui, eu chamo ela de pai, logo, ela me chama de filha. Quando vai me chamar pelo meu nome, no entanto, ela sempre se confunde e me chama de Fernanda, porque acha, por algum motivo, que eu tenho cara de Fernanda. A Paula, outra amiga nossa que estava lá no momento, concordou e disse que ia me chamar de Ferds (ou isso foi a Tüppÿ mesmo, não lembro...).

Alguns minutos depois, entramos numa loja que vendia marshmallows e doces Wonka, porque a Paula estava com vontade de comer UM marshmallow. Só que ela acabou se empolgando e comprou coisinhas para mim e para a Tüppÿ também. Escolhi aquelas balinhas de amora, que a Paula cismou que eram morangos: "Pega um moranguinho" "Pega mais um moranguinho" "Essa é a sua última chance de pegar um moranguinho". E aí ela decidiu que ia me chamar de moranguinho.

Mesmo sem querer, elas criaram o nome do meu heterônimo feliz: Ferds Moranguinho. Eu sei, é ridículo, mas é tão feliz... Para começar a diferenciar mais os meus heterônimos nos posts, começarei a assinar os textos com a parte de mim responsável por cada pensamento.

By Ferds Moranguinho

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mais epifanias...

Ontem, ao voltar da faculdade, num momento epifânico no ônibus, descobri que tinha cansado de esperar por um namorado. Falei "que se dane" e o amor que venha me encontrar (e isso não foi da boca pra fora; o que é da boca pra fora não é epifania). Maomé cansou de procurar a montanha; a montanha que vá até Maomé =D

Enfim. Depois, antes de dormir, às 18 horas (sim, fui dormir ontem às 18h), comecei a pensar que talvez o que me falta não seja um companheiro, mas uma paixão. E não necessariamente por uma pessoa, mas por alguma coisa. Beleza, eu amo escrever, mas não é uma paixão que me complete tanto. Meus livros me completam, mas não tenho tido tempo de ler o que eu quero, só o que as minhas 5 matérias de literatura me mandam. Eu não preciso de somebody to love; eu preciso de something to love. Como Constantin Guys diz e Baudelaire transcreve em "Sobre a modernidade", "Amo apaixonadamente a paixão". É o que me falta. E agora me pergunto: pelo que vou me apaixonar?

Ah, isso é um ponto interessante que eu acho que nunca comentei aqui: eu tenho o "poder" de escolher por quem vou me apaixonar. Depois que eu me condiciono a gostar daquela pessoa, no entanto, não consigo impedir o sentimento. Enfim. Pensei em me apaixonar cada vez mais pelo estudo, mas tenho medo de virar uma Ph.D. (e insira uma vogal em cada ponto, se é que vocês me entendem) sem vida social, que só pensa em estudar. Mas pode funcionar por enquanto.

Então, a apaixonada por estudos aqui precisa ir ler um texto de 40 páginas.

PS nada a ver: eu tenho que tirar do meu mp3 duas músicas que me fazem passar vergonha... Uma é o áudio do vídeo Vovó cantando Justin Bieber, que é simplesmente hilário e eu sempre começo a rir muito alto a cada vez que eu escuto essa música (o que geralmente ocorre no ônibus). A outra é "Stereolove". Sim, é uma música normal, mas eu quase não consigo me segurar quando escuto aquele ritmozinho contagiante: me dá muita vontade de dançar!! O problema é que eu não sei dançar...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Top 5 - as melhores covers que já escutei

Esse é aparentemente mais um post inútil, mas eu amo listas e tô meio sem tempo para fazer altos textos elaborados - então juntei a fome com a vontade de comer.

5 - All my loving (Across The Universe Soundtrack)
Original: Beatles
Por que é melhor? A começar que eu não endeuso os Beatles. Depois que a cover ficou muito mais sensível, fofa e emocionante que a original.

4 - 20 e poucos anos (Raimundos)
Original: Fábio Júnior
Por que é melhor? Bem, eu sou uma adolescente de 17 anos, então dificilmente acharei Fábio Júnior melhor que Raimundos =D

3 - Knockin' on Heaven's door (Guns n' Roses)
Original: Bob Dylan
Por que é melhor? Fala sério, ninguém nem sabe que a música é do Bob Dylan!! Todo mundo acha que é do Guns, ou pior, da Avril Lavigne!!

2 - It's all over now, Baby Blue (Hole)
Original: Bob Dylan
Por que é melhor? Porque é mais animada, mais pop e a voz da Courtney Love deu uma boa melhorada na música.

1 - Forever Young (Cash Cash)
Original: Alphaville
Por que é melhor? Porque é mais dançante e feliz!! Eles mudaram a letra e adaptaram um clássico dos anos 80 aos dias de hoje com perfeição.
E a frase "Maybe we can change our lives tonight" ficou PER-FEI-TA no contexto!!

Mandem-me suas opiniões de covers bem feitas!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Enfim, bela!

Hoje eu acordei de mau humor, mas seria quase impossível acordar de bom humor às 04h30. Meu estado de espírito, no entanto, subitamente mudou enquanto eu estava preparando meu café da manhã. Tive uma epifania: descobri que sou, sim, bonita.


Não quero parecer convencida, e assumir isso não é sinal de convencimento. É sinal de um fiapo de auto estima começando a aparecer. Percebi que os meus pontos negativos não ofuscam os positivos, e que, se eu quiser, posso transformar alguns defeitos em "pseudo-qualidades". Tenho algumas espinhas, mas quem não tem? Sou magrela, mas isso não é culpa minha e provavelmente é só questão de tempo. Minhas orelhas élficas podem ser bonitas, e é só lembrar da minha diva Audrey Hepburn para ver que os defeitos não são absolutos e que tudo depende do contexto. Quer um exemplo? Ter dentes separados pode ser um charme ou um horror. Na Madonna e na Hayley, do Paramore, o espacinho entre os incisivos superiores é fofo; no Arnold Schwarzenegger, não. Na Audrey, as orelhas élficas + a magreza + a falta de busto funcionaram perfeitamente e criaram uma das mulheres mais lindas do mundo. Os defeitos são questão de contexto.

Quando eu era mais nova, realmente era bem mais estranha fisicamente. Meu frizz era algo tenebroso (no primeiro ano, ganhei o simpático título de "Miss Frizz"), o aparelho ortodôntico não ajudava, o ortopédico menos ainda, não sabia usar maquiagem... Tudo isso vocês podem ver pela foto acima, tirada de zoação (foi na minha época mais dark e eu decidi tirar a foto toda de rosa). Enfim. Eu melhorei bastante. Não sou mais a menininha de 11 anos ridicularizada por ser feia. Surgi para mim mesma hoje como o patinho feio. Eu era estranha e inadaptada ao meu meio. Descobri hoje que sou um cisne. Acho que a minha beleza é meio incomum e, além disso, a sociedade tem um padrão do que é belo que eu nunca vou ter. Parando para analisar, a Valesca Popozuda é um dos padrões de beleza da nossa sociedade (sim, isso é sério); prefiro não fazer parte desse padrão...

Façam uma "comparação evolutiva".

sábado, 25 de setembro de 2010

Minha guitarra


Eu estava passeando nesse fim de semana pelo flog que eu tinha feito quando eu tinha 12 anos. Achei essa foto e tive que postar aqui. Minha guitarra tá mais bonitinha agora, com adesivos da Boo, de uma aranha e de morangos. 

Beijos povo!

Reflexões Matutinas

Então, era para eu estar estudando...  Mas eu tava lendo no café da manhã (esfihas e pastéis de calabresa e queijo com guaraná zero) a Atrevida que a minha irmã comprou ontem e, inspirada pela reportagem com a Lady GaGa e pelo texto da Rita Trevisan, decidi escrever esse post.

Na reportagem da GaGa, ela falou que começou a usar a alcunha quando teve uma fase que queria fugir um pouco de si mesma. Conseguem relacionar isso com alguém? Poisé, a diferença é que o meu heterônimo, apesar de ser uma espécie de fuga de mim mesma, não é para onde eu gostaria de fugir. Eu não gosto do meu heterônimo, eu quero que o meu heterônimo exploda e me deixe feliz. O que eu devo fazer então? Criar um heterônimo feliz? É pode ser que funcione. Vai ser a Luna. Enfim. Na mesma matéria, a entrevistadora pergunta à GaGa se ser famosa pode lhe matar. “Sim, com certeza” “Assim como a Michael Jackson” “Exatamente. Muita entrega e muito amor também podem matar. Eu acho isso romântico, mas também inacreditavelmente triste quando artistas morrem por causa de um coração partido” “Nesse aspecto você corre algum risco?” “Meu coração parar por causa de muito amor? Eu não sei. Espero que não” “Você está apaixonada no momento?” “Sim, pela minha música. De outra maneira não, estou solteira. Mas eu acredito no amor e estou constantemente em busca da fórmula que me permita entendê-lo [...] O amor é perigoso, sempre. Amar é escalar montanha, o amor é irracional. Mantém você viva e também a destrói. A procura por amor é o alimento para a alma do artista. Eu tenho medo de, ao encontrar o amor, não conseguir mais escrever canções sobre o tema.” Aiai. Depois de ser Clarice, Dory, Dee Dee e meio Felipe Neto, sou a GaGa.

O outro texto que me inspirou foi “Sofrer é bom?”, da Rita Trevisan. Transcrevo abaixo os trechos que com que mais me identifiquei.

“O problema é que, de tanto olhar sofrimento, catástrofes, violência, periga a gente esquecer que a vida também é feita de poesia.”

“Até quando o sofrimento é nosso, fazemos de tudo para fugir, demora horrores pra termos coragem de enfrentar o problema que está nos fazendo ficar cada dia pior. [...] Quando a dor é nossa, o primeiro desafio é descobrir onde foi que nos machucaram, para resolver de imediato a questão. Logo, se sofrer é inevitável, aliviar a dor parece ser sempre a melhor saída.”

Esse fragmento complementou perfeitamente a conversa que eu tive com um amigo nesse fim de semana. Acabei desabafando com ele tudo o que me aflige e ele disse que só eu posso sair do fundo do poço onde me encontro. Ele disse que eu me derrubei e me chutei. “Não. Me derrubaram e eu levantei, me derrubaram e eu levantei, me derrubaram mais uma vez e eu cansei de me levantar. Pra quê levantar se vão me dar uma rasteira de novo?”. O problema é que falar através de metáforas é fácil. O difícil é transpor essas metáforas pra vida real e vencê-las na vida real. Na minha mente, é muito fácil lutar contra o meu heterônimo (imagino uma espécie de “A usurpadora”, em que a Ju (Paulina) luta contra a gêmea má, Baby Blue (Paola). A diferença é que na luta não teriam arranhões nem puxões de cabelo; a batalha seria como no jogo “Kingdom Hearts”: eu luto contra a BB com uma Keyblade – uma espécie de chave do tamanho de uma espada – e tenho o Pateta e o Donald pra me ajudar a derrotá-la. Se estiver muito difícil, eu ainda posso chamar o Chicken Little, o Gênio do Aladin ou o Stitch – e daqui a pouco vou destravar o Bambi. Se meu heterônimo me vencer mesmo assim, o rei Mickey pode vir me salvar.) Enfim. Entenderam como é difícil vencê-las na vida real? Meu amigo ficou me falando através de metáforas e talz e eu comecei a ficar desesperada: “Cara, me dá um exemplo prático de como sair disso!!”Vou tentar de tudo para ficar feliz e mandar a BB ir pastar quando ela aparecer.

Já escrevi demais. Meus livros me esperam. Ah, por falar em livros, fiz uma promessa a mim mesma: não vou comprar mais livros enquanto não ler os mais de 150 que tenho aqui em casa e no meu computador. No lugar, vou investir em bottons (comprei um liiiiindo da Família Monstro), em maquiagem e num PSP colorido para poder jogar “Kingdom Hearts – Birth by Sleep” (nesse jogo eu passo pelo mundo das princesas!!). Ok, agora eu realmente preciso ir.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mini férias

Amados leitores,

Esse post é só pra avisar que eu vou tirar umas mini férias do blog na próxima semana, porque a faculdade está me consumindo muito e eu tenho que resistir à tentação de escrever até, pelo menos, sexta da semana que vem.

Veja a minha programação:

2a - Entrega de trabalho sobre a relação de "Tatuturema" e "O inferno de Wall Street" (partes de "O Guesa", de Sousândrade) com o romance machadiano ou com crônicas realistas.

3a - Prova de Produção do Texto 2

4a - Prova de Literatura Portuguesa 2 - O Romantismo português

5a - Apresentação de Projeto Acadêmico (tema: a importância a literatura de massa na formação do leitor)

6a - A minha ruína: Prova de Literatura e Interfaces (MEDA!!)

Entenderam a razão de eu ficar "fora" por uma semana?
Até 6a que vem!
(Ps: Wish me luck!!)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cupcakes e desejos


Ontem foi o aniversário da Carol S., assídua frequentadora do blog e minha melhor amiga desde que eu tinha 6 anos de idade. Para comemorar, fomos comer um cupcake no Shopping da Gávea, que é bem perto da faculdade e poderíamos voltar correndo pras nossas aulas depois.

Eu já tinha sido avisada que os cupcakes eram mais bonitos do que gostosos, mas precisava comer mesmo assim. Escolhi o com confetes (foto ao lado) e a Carol escolheu um que eu acho que não está na imagem... Enfim. Primeiramente, esse troço é muito difícil de comer. É quase um Big Tasty. É enorme, você não sabe por onde começa, tem medo de derrubar a cobertura toda no chão... E o gosto, apesar de ser bom, não é melhor do que o aspecto visual - além disso, depois de um tempo você acaba ficando enjoada com tanto doce. Enfim. Essa introdução toda foi para contextualizar uma reflexão que eu tive ontem e que o comentário da Autora no meu texto "Amor de Salvação, Amor de Perdição e Heathcliff" complementa: às vezes, desejar é melhor que conseguir.

Eu queria taaaaaanto o cupcake, superestimei tanto ele que, quando comi, ele ficou bem abaixo das minhas expectativas. Quando eu vi o filme "Up - Altas Aventuras", idem. Todo mundo falava: "CARACA, ESSE FILME É MUUUITO BOM!!" Eu esperava a oitava maravilha do novo mundo. Sem dúvida nenhuma, é um bom filme; mas não era bem o que eu esperava. Por outro lado, quando eu vi "Monstros Vs. Alienígenas", não esperava NADA do filme e só vi mesmo porque não tinha mais nada pra fazer. Me surpreendi e hoje é o um dos meus filmes preferidos.

Parando para refletir, acho que às vezes é melhor deixar uns sonhos só no âmbito dos sonhos mesmo. Mesmo que aquilo aconteça só na sua cabeça, é real pra você (essa é uma frase do Dumbledore no 7o livro do Harry Potter). Se você quer realizar algo, evite idealizar, porque a decepção quando aquilo se tornar realidade pode ser grande. Eu sei que falar e dar conselhos é muito mais fácil que fazer, por em prática (ainda mais para pessoas ansiosas e fantasiosas como eu =D), mas tentar não custa nada. Não vou desistir dos meus sonhos, mas vou tentar parar de idealizar tanto.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Heterônimos

Na aula de Cultura e Literatura Portuguesas, estamos começando a estudar Fernando Pessoa e seus heterônimos. Eu queria explicar aqui o que é um heterônimo, mas é o tipo da coisa que eu sei, mas não sei como explicar. Então, recorri à Wikipedia:

Heteronímia (heteros = diferente; + ónoma = nome) é o estudo dos heterónimos, isto é, estudo de autores fictícios (ou pseudoautores) que possuem personalidade. Ao contrário de pseudónimos, os heterónimos constituem uma personalidade. O criador do heterónimo é chamado de "ortónimo". Sendo assim, quando o autor assume outras personalidades como se fossem pessoas reais.

Por que eu tô falando de heterônimos? Porque eu acho que tenho um. Vocês já devem ter percebido que uns textos meus são extremamente depressivos, enquanto outros são bem felizes e otimistas. A minha parte "Doug" (feliz e otimista) é a Ju de verdade. A parte depressiva e surtada é meu heterônimo, a Baby Blue (é por causa da cover que a Courtney Love fez para "It's all over now, baby blue", do Bob Dylan). Ela surge do nada, vai embora do nada e é tão diferente de mim que não acredito que seja eu. Não, fanáticos religiosos, eu não estou possuída.

Ao contrário de Fernando Pessoa, que criava os seus heterônimos pela poesia, eu crio a poesia (ou a prosa, já que tem MUUUITO tempo que não escrevo em poesia) a partir do heterônimo. Ou seja: a Baby Blue toma o lugar da Ju e começa a escrever coisas psicótico-depressivas. Mas quem convive comigo pode ficar tranquilo: a Baby só aparece quando eu estou sozinha; na verdade, ela só aparece porque eu estou sozinha.

Então, quem vai fazer uma vaquinha para me comprar o botton abaixo?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Amor de Salvação, Amor de Perdição e Heathcliff

“L’amour n’a point de moyen terme: ou Il perd ou Il sauve”
(Victor Hugo)

Esse fim de semana foi deprimente. 1º porque eu tenho uma prova sobre o romantismo português na 4ª feira e tive que ler um resumo da biografia do Camilo Castelo Branco, o maior expoente do 2º romantismo em Portugal. O problema não foi exatamente ler isso; a questão é que a vida dele é desgraça atrás de desgraça, fracasso amoroso atrás de fracasso amoroso, ele tem uns pensamentos deprimentes com os quais me identifico totalmente e, para piorar a situação, que já estava bem ruim, ele se suicida depois de não aguentar mais uma série de doenças (inclusive uma cegueira). Veja algumas frases dele:

“D. Inês da Veiga principia a ser romântica ou desgraçada, que é quase o mesmo”

“Diante dos obstáculos que a vida levantava no seu caminho, somente a esperança numa vida d’além-túmulo podia sorrir-lhes [...] O Sol não entra nesse universo de trevas senão para melhor realçar as sombras ameaçadoras”

“Guilherme do Amaral é uma ‘vítima dos romances’. Ele não tinha feito outra coisa senão ler livros franceses, acabando por perder toda a ilusão: ‘Há em mim a preexistência de todas as desilusões’, e acrescenta: ‘Sou o símbolo da desesperança sobre a Terra’.”

“O amor só vive pelo sofrimento; cessa com a felicidade; porque o amor feliz é a perfeição dos mais belos sonhos, e tudo que é perfeito, ou aperfeiçoado, tem seu fim. A desventura é, pois, o motor do amor ou o seu fim; de qualquer maneira, constitui um valor que lhe está indissoluvelmente ligado. Ainda que o amor pareça conduzir à virtude e à regeneração, ainda que ele faça milagres, o desastre espreita-o”

“Eu estou sempre brincando (com a roda do meu infortúnio) como as crianças com os seus arcos.”

O pior não é me identificar com as frases; é me identificar com o seu romance mais famoso, Amor de Perdição, uma super tragédia, um “Romeu e Julieta” à portuguesa. O bizarro é que eu não me identifico com a Teresa/Julieta, mas sim com Mariana. É algo mais ou menos assim: Simão e Teresa se amam, mas suas famílias são inimigas e eles não podem ficar juntos (sim, você já ouviu essa história em algum lugar...). Mariana ama Simão e só tem interesse em amá-lo, não faz arapucas mirabolantes para roubar ele de Teresa nem nada; aliás, eu até acho que ela ajuda (ou pelo menos tenta ajudar) os dois a ficarem juntos. E o que eu tenho a ver com Mariana? Bem, o que eu sinto não é amor – longe disso –, mas uma quedinha por alguém que não gosta de mim e gosta de outra. E acho que essa outra também gosta desse alguém. Gosto demais dos dois para querer que eles não fiquem juntos. Isso pode até ser masoquismo, mas dou a maior força (ainda não abertamente, mas creio que seja questão de tempo). O que eu puder fazer para ver os dois felizes, eu farei - é uma coisa meio “A marca de uma lágrima” (Pedro Bandeira) também. Mas acreditem: isso é mais deprimente na teoria do que na prática.

2º fator que deixou meu fim de semana deprimente: eu nunca saio aos sábados (nem em dia nenhum), minha vida é um tédio e blábláblá. Nesse sábado, depois de ver os melhores momentos do “Comédia MTV”, “Katylene TV” e “Luzes da Cidade” (do Chaplin), fui ver uma versão de 2009 de “O morro dos ventos uivantes”, um dos meus dois livros preferidos (o meu outro é “O retrato de Dorian Gray”), à 01h da manhã. É, eu sei, deprimente demais. Se você não conhece essa história, é basicamente o seguinte: O pai de Cathy e Hindley Earnshaw traz de Londres um pobre e maltrapilho menino cigano, Heathcliff. Cathy se torna amiga dele, mas Hindley o despreza totalmente. Quando o pai morre, Hindley transforma Heathcliff num criado e este, obviamente p. da vida, promete que se vingará, não importa quanto tempo isso demore. Enfim. Cathy – o grande amor da vida de Heathcliff - se casa com Edgar Linton, o vizinho, e depois de 500 mil reviravoltas, Cathy morre (isso não é um spoil, já está dito no início do livro), Edgar morre, Hindley morre (o livro quase acaba por falta de personagem) e Heathcliff se vinga de todo mundo pelos filhos que eles tiveram. O filho que ele teve com Isabella (a vizinha, irmã de Edgar) sofre; a filha de Cathy com Edgar sofre; Hareton, o filho de Hindley, é um criado... Tudo isso por causa de um pé na bunda – menos o fato de Hareton ser um criado. Não sabemos o que devemos sentir em relação a Heathcliff. Amo-o e odeio-o. Sinto pena e raiva. Mas, ao mesmo tempo, me identifico totalmente. E penso, com muito medo: será que me tornarei vingativa, amarga e má por causa de uma decepção enorme que tive aos 17 anos? Infelizmente, eu assumo que isso me afeta mais do que o que devia afetar. São inúmeros os pensamentos negativos e problemas psicológicos que isso me trouxe. Eu sei que deveria amadurecer e pensar: “Relacionamentos terminam todos os dias. Por que você achou que com você seria diferente?” Para falar a verdade, não penso mais tanto no término em si – talvez já tenha superado essa parte. Sofro agora com as malditas consequências do pé na bunda. Sofro mais com a angústia nervosa permanente, com a minha solidão, que pode parecer paradoxal, porque estou sempre rodeada de gente. Quando estou rodeada de gente, estou bem mesmo. Porém, basta ficar um pouco sozinha para desabar. Sinto falta de alguém para passar o fim de semana, para contar TUDO o que eu penso sem medo de parecer ridícula, sinto falta de um colo para chorar. Nessa semana, enquanto estava meio desesperada num momento solitário na faculdade, escrevi o seguinte trecho no verso no meu “Amor de Salvação” (irônico, não?):

“Prestes a surtar de novo.

(Por que os meus surtos são sempre às quintas?)

Eu sinto um desespero, um calor por dentro e um frio por fora, meu coração se acelera e eu me arrepio. Não quero ir embora, mas não sei o que fazer aqui. Preciso de uma companhia, de uma pessoa para eu deitar no colo e chorar, para desabafar, porque eu não me sinto à vontade para contar tudo da minha vida, pra falar de todos os meus problemas no blog. Eu preciso de alguém com quem eu me sinta confortável para falar sobre tudo e para abraçar quando eu estiver precisando de um abraço. É isso que está me enlouquecendo, que tá fazendo com que eu bata a cabeça na parede e chore no ônibus.”

Na faculdade eu tenho companhia; em casa não. Entenderam porque eu passo o dia inteiro na PUC, mesmo quando eu não tenho aula?