quarta-feira, 27 de outubro de 2010

You can get it if you really want it

De repente você descobre que quer muito algo. Algo talvez inatingível, ou quase impossível de se obter. Mas você quer mesmo assim. Você se imagina com aquilo. Você é então um vencedor, no melhor estilo Rocky Balboa subindo as escadas. Já sonha com tudo de positivo que aquilo vai te trazer.

Aí você se lembra que tem um looongo caminho a percorrer.

Eu estou no começo da minha vida nerd, e jogar é uma coisa tão divertida pra mim que pretendo trabalhar em alguma coisa relacionada a isso – mas relacionada a Letras também. Pensei em começar como revisora de revista de jogos, o que seria extremamente útil: acho que não são muitas as pessoas que gostam de jogos e de encontrar erros em textos alheios. Conversando com um amigo nerd, ele falou que eu poderia tentar ser roteirista de jogos, e acho que a faculdade de formação do escritor possa ajudar. Pensei em como começar, já que a minha carreira de escritora ficcional se resume a 3 contos – “A solidariedade do brasileiro”, “O ladrão da felicidade” e “Édipo moderno”, um conto de terror psicológico que é meio impublicável (se alguém quiser, me siga no Twitter - @ju_liana_lopes - e me mande uma direct message com o seu email que eu mando o conto). Conversando com a Bella, pensei em começar por fan-fictions, mas não tenho nenhuma ideia de fanfic boa pra escrever.

Aí eu me lembro que tenho um longo caminho a percorrer.

Não sei nada de jogos. Resumidamente, sei o que aprendi com a Bella nas inúmeras viagens de ônibus, sei um pouco do que lia nas revistas do meu pai e... é isso. Mas eu tô me esforçando para aprender mais. Indo pra casa da Bella ontem para – adivinha! – jogar “Kingdom Hearts - Re: Chains of Memories”, encontrei um colega – também nerd – que há muito não via. Conversando sobre jogos, eu disse: “Ah, eu acho que eu já tô meio velha pra começar a jogar...”. Ele respondeu: “O tio de um amigo meu se viciou por jogos aos 60 anos e ele joga bem pra caramba!”

Então é isso. Me vejo jogando o dia inteiro - ou lendo sobre jogos o dia inteiro - e ganhando dinheiro pra isso. Me vejo tal como Rocky Balboa comemorando no topo da escadaria, mas vai demorar pra chegar lá. Bem, não tenho pressa...

O "Oi" que mudou minha vida - parte 1

Eu me lembro nitidamente dos meus pensamentos naquele momento, naquele nosso primeiro contato. Era minha segunda semana de aula no primeiro período da faculdade e quase dava pra sentir fisicamente meu desespero por fazer alguma amizade. Havia chorado a primeira semana inteira. “Minha turma é muito fechada, ninguém fala com ninguém”, dizia a quem quisesse ouvir. Hoje, sei que não fui a única e que boa parte das minhas colegas de turma também se esvaiu em lágrimas no começo do semestre.

Eu estava no ponto de ônibus, ao lado de uma senhora negra com trancinhas e de uma jovem loura. Perguntei à senhora que horas eram. 11h20, ela me respondeu. O ônibus estava atrasado. Minha memória falha em algum momento, e eu não lembro por que nós três começamos a conversar; o fato é que começamos. Como conversa de elevador. A quantidade de palavras não importa, o conteúdo era vazio. Mera função fática, mero desejo de estabelecer contato.

Ela então chegou ao ponto, mas não dei muita atenção. Continuei minha troca de palavras vazias, até que o ônibus finalmente chegou. Despedi-me da senhora e da jovem; eu e ela entramos no ônibus.

Pela sua aparência, diria que tinha entre 18 e 20 anos. Pelas roupas (All Star, jeans e camiseta), que tinha uma possibilidade de ela estar indo para a mesma faculdade que eu. O medo de abordar uma total desconhecida era grande, mas a cara de pau era maior ainda. Estava no momento “Sim, senhor”, no momento “Não deixe que o medo de perder impeça você de jogar”. Por causa desse pensamento, perdi inúmeras coisas que nunca voltarão, mas, nesse caso, ganhei de forma imensurável. Pensei, antes de dar o oi que mudaria a minha vida: “Eu não a conheço. O que você tem a perder? Vá em frente.” E eu fui.

- Oi, você tá indo pra PUC? – perguntei, ao cutucar o seu ombro.

- Ahn-hã.

Ela tirou sua bolsa do banco ao lado e eu me sentei.

Perguntei seu nome (Isabella), idade (19), curso (Design – mídia digital), em qual período ela estava (3º). Ela me perguntou isso de volta (Juliana, 17, Letras, 1º período). A conversa fluiu de forma impressionante para duas pessoas que nunca tinham se visto. Ela me falou da sua vida no colégio, na faculdade, discutimos religião (um assunto que eu não discuto nem com pessoas que eu já conheço há anos), falamos de tudo um pouco.

Aquele foi o último dia que chorei por causa da faculdade.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mini coisas esdrúxulas: meu pai e essa madrugada

Ontem, conversando com a minha irmã, descobri que eu tenho a quem puxar na minha bizarrice. Ontem, a Bella e o Fefo foram lá em casa pra podermos zerar "Kingdom Hearts" e eu consegui, finalmente, ver o final do jogo (descobri que estava MUITO PERTO do final quando travei na batalha...). Enfim. Minha irmã me disse que meu pai escutou a minha voz no quarto e perguntou: "Sua irmã está falando sozinha?" Segundo a Gi, isso não é a primeira vez que ocorre. Semana passada, quando a Carol foi lá em casa, meu pai fez a mesma pergunta. E quando eu estou conversando no telefone também!!

A segunda mini coisa esdruxula foi essa madrugada. Fui dormir às 20h pra poder acordar às 02h30 pra fazer um trabalho dizendo por que Arnold Hauser considera o modernismo da primeira metade do século XX como a era do cinema. Acordei na metade da madrugada, estava lá fazendo o meu trabalho com a cabeça quase caindo no teclado de tanto sono, e então a campainha toca (gente, isso não é obra de Clarice Medeiros, ocorreu de verdade!). Às 03h da manhã! Como nunca recebemos visitas a essa hora, fiquei morrendo de medo. Sim, eu sou medrosa MESMO, e, para ter uma noção, só comecei a dormir de luz apagada neste ano. Quando escutei a campainha, meu coração disparou. Depois, escutei o telefone tocando. Aí depois eu descobri que era só a minha tia que tinha chegado de São Paulo, depois de uma viagem de 8h de ônibus.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nerdiossexualismo

Special thanks to: Fabrizzia (sim, aquela do texto “Fabrizzia e outras aleatoriedades”), que, numa carona, me deu mais inspiração para escrever esse texto.

A expressão-título foi criada pelo PC Siqueira (se você não o conhece, em que mundo vives?) num dos seus vídeos e eu achei genial, porque me identifiquei totalmente. Ao contrário do que possa parecer, não é um tipo de opção sexual; você pode ser homo, bi ou heterossexual e ser um nerdiossexual ao mesmo tempo.

Ok, mas o que é um nerdiossexual?

É um nerd que nunca faz sexo, ou que faz sexo uma vez a cada três, quatro anos. Por quê? Porque o nerd tem coisas mais importantes pra fazer, como jogar. Não sou inteiramente nerdiossexual nesse aspecto: primeiro porque não me refiro exatamente a sexo, é mais ficar mesmo; segundo porque não deixo de ficar com as pessoas porque jogo. Como disse o PC, os nerdiossexuais são seres que preferem encontrar companheiras que gostam das mesmas coisas estranhas que eles – tipo dinossauros e Pokémon. E na verdade, eu acho que é por causa disso que um nerd demora tanto para arranjar uma namorada. Tudo bem que a cada dia mais meninas jogam e gostam de coisas de nerds (ou então sou só eu que estou fazendo mais amizades com nerds...), mas mesmo assim ainda demora um pouco pra encontrar. E como uma perfeita nerdiossexual, eu também prefiro namorar alguém que goste dos mesmos jogos que eu, até mesmo porque daria pra pessoa passar as fases mais difíceis pra mim *__* Ok, isso não é um argumento válido; eu já tenho a Bella pra fazer isso por mim. Mas enfim: também compartilho desse desejo de encontrar alguém  que goste das mesmas coisas que eu para eu não me sentir uma total alienígena quando falar dessas coisas com esse alguém. Pô, eu já me sinto um alien durante boa parte do meu dia (ou pelo menos até encontrar a Tüppÿ, a Bella ou o Fefo), eu tenho que me sentir confortável com a pessoa que pretende ser minha companheira.

Então, eu assumo, orgulhosamente: EU SOU UMA NERDIOSSEXUAL!

Terminei meu último namoro há ... pausa para fazer contas ... exatos cinco meses, e ainda não fiquei com ninguém. E, pelo andar da carruagem, não vou ficar tão cedo. No início – tá, não foi só no início, foi até algumas semanas atrás –, eu tava meio OH GOD EU PRECISO DE UM COMPANHEIRO, mas depois que vi esse vídeo relaxei total. Sou uma nerdiossexual; daqui a uns dois ou três anos aparece alguém.

Outra coisa esplêndida desse vídeo é a questão da cerveja. Sou muito parecida com o PC Siqueira. Não, não sou vesga e não tenho uma Lola pra mim (infelizmente), mas, além de ser nerdiossexual, eu odeio cerveja. Acho muito ruim mesmo, imagino que guaraná com xixi deva ter um gosto semelhante. Muitas pessoas me dizem: “Ah, cerveja é questão de costume. No início ninguém gosta, mas é só você ir bebendo para se acostumar.” Gente, qual o probleminha de vocês? Por que se condicionar a beber algo que você não gosta? Aprovação social? Nesse caso, como diria Patolino, vocês são dessssprezíveis. E como disse o PC também: quer coisa mais idiota e repugnante que pessoas que colocam no nick do MSN: “UHU, festa hoje! Vou beber muuuuuuuuuuuuuuito” ou “Pô, tô com a maior ressaca”. É fazer questão de dizer: eu bebo. Pra quê? Beber não é uma coisa da qual você deva se orgulhar. Se você bebe porque, por algum motivo bizarro gosta do gosto, beleza (eu já provei drinks alcoólicos deliciosos; minha questão é com cerveja). Mas se você bebe pra provar pros seus amiguinhos retardados que você é legal... você não tem personalidade.

Então também assumo: EU NÃO GOSTO DE CERVEJA!

Aiai, desabafos demais para um texto só. São 19h45, eu preciso dormir para acordar às 04h e estudar Arnold Hauser.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Momento Polishop


Então, lembra que eu tinha falado que a minha mãe faz caixinhas? Essa aí é da Audrey Hepburn, nas medidas 20x20x7 (20cm de largura e de comprimento e 7cm de altura) e tá só R$ 20! Numa loja, vocês não compram por menos de R$ 50. Vale a pena aproveitar, gente!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Os perigos do romantismo

Estou estudando Eça de Queirós em Literatura Portuguesa II e, nesta semana, lemos um conto muito interessante dele – apesar de ser meio machista. Eça, aliás, era crítico ferrenho das mulheres. Sei lá, eu já desisti de criticar só as mulheres ou só os homens. Critico o ser humano.

Enfim. Neste conto, que se chama “No moinho”, D. Maria da Piedade é uma mulher casada com um homem enfermo que, por causa de sua doença, não pode fazer nada; logo, sua esposa faz tudo para ele. Os filhos que tiveram também são doentes e Maria cuida de todos como uma enfermeira mesmo. Sua lúgubre casa mais parece um hospital. Ela não tem ambições na vida: “Toda a sua ambição era ver o seu pequeno mundo bem tratado e bem acarinhado. Nunca tivera desde casada uma curiosidade, um desejo, um capricho: nada a interessava na Terra senão as horas dos remédios e o sono dos seus doentes.”

Tudo ia bem, tranquilo e inerte na vida de D. Maria da Piedade, até que Adrião, um primo de João Coutinho (seu marido), chega à casa. Um escritor de romances bem conhecido em Lisboa, acaba roubando um beijo dela e fascina D. Maria por “aquela seriedade, aquele ar honesto e são, aquela robustez de vida, aquela voz tão grave e tão rica.” Pela primeira vez, então, ela vislumbra, “para além da sua existência ligada a um inválido, outras existências possíveis.”

Você acha que a vida de D. Maria da Piedade era ruim? Nããão! Agora que vem a verdadeira desgraça!

De repente, ela se cansou da vida que levava e “refugiava-se então naquele amor como uma compensação deliciosa. Adrião tornara-se, na sua imaginação, um ser de proporções extraordinárias. Leu todos os seus livros. Estas leituras calmavam-na, davam-lhe como uma vaga satisfação ao desejo. Chorando as dores das heroínas de romance, parecia sentir alívio às suas.”

“Lentamente, esta necessidade de encher a imaginação desses lances de amor apoderou-se dela. Foi durante meses um devorar constante de romances. Ia-se assim criando no seu espírito um mundo artificial e idealizado. A realidade tornava-se odiosa. Vieram as primeiras revoltas. [...] Acreditava nos amantes que escalam os balcões, entre o canto dos rouxinóis: e queria ser amada assim.”

“O seu amor desprendeu-se, pouco a pouco, da imagem de Adrião e alargou-se, estendeu-se a um ser vago que era feito de tudo o que a encantara nos heróis de novela; era um ente meio príncipe meio facínora, que tinha, sobretudo, a força”

“A santa tornara-se Vênus.”

“E o romanticismo mórbido tinha penetrado tanto naquele ser, e desmoralizara-o tão profundamente, que chegou ao momento em que bastaria que um homem lhe tocasse, para ela lhe cair nos braços – e foi o que sucedeu com o primeiro que namorou. Por causa dele [...] deixa a casa numa desordem, os filhos sujos e ramelosos, em farrapos, sem comer até altas horas, o marido a gemer abandonado na sua alcova – para andar atrás do homem, um maganão odioso e sebento, de cara balofa. Pede-lhe dinheiro emprestado para sustentar a Joana, criatura obesa, a quem chamam na vila ‘a Bola de Unto’.”

Bem, Eça já disse tudo, que mais posso eu dizer? Ok, ele faz parecer que o lugar de mulher é cuidando do marido e dos filhos, mas a parte que nos alerta para os males do romantismo é genial! Óbvio que a situação é dramatizada, caricaturada; no entanto, é um excelente ponto de partida para a reflexão: o que o romantismo faz conosco?

Vou deixar que vocês pensem e me respondam.

Nerd, eu?

Algumas pessoas ainda confundem “nerd” com “CDF”. Nerd é aquele que adora jogos, animes, mangás, bonecos de ação, etc. – imagine o personagem de Steve Carell em “O virgem de 40 anos”. CDF é quem estuda muito, quem tira notas boas, quem não falta às aulas, etc. – imagine a Hermione, de “Harry Potter”. Sempre fui CDF, mas agora estou deixando um pouco de ser – e estou virando nerd. Até uns... 4, 5 meses atrás, toda a minha nerdice se resumia a gostar um pouco de “Star Wars”. Na gíria nerd, eu era totalmente noob. No entanto, isso está mudando.

Semana passada, no sábado, era para eu ler “Os Maias” o dia inteiro. Mas aí eu comecei a jogar “Kingdom Hearts 2” às 10h30 e só parei às 18h, quando encontrei o Sephiroth – um carinha que é muuuito difícil de matar. O recomendado para matá-lo é a partir do level 70, mas eu ainda tô no 53. Teoricamente, já dá pra matá-lo a partir do level 55, mas eu vou sofrer muito... O Fefo o matou no level 60, então eu quero matar o Sephiroth antes do level 60 pra provar pro Fefo que eu sou melhor que ele – o que eu acho que, ahn, não vai acontecer... Além disso, eu quero começar a frequentar eventos, fazer cosplay da Malévola (sim, a vilã de “A Bela Adormecida”, que também é uma das principais vilãs de “Kingdom Hearts 2”) e eu estou começando a colocar jogos no meu computador – mas, por enquanto, eu só tenho “Phoenix Wright”, no qual eu sou um advogado e tenho que defender vários acusados inocentes de assassinato.

O cúmulo da minha nerdice foi quando, vendo fragmentos de algum filme do “Final Fantasy”, disse pra Bella ao ver o Cloud e o Sephiroth (acho que eram eles): “UUUH... Eu pegaria...” (logo eu, que sempre achei tão deprimente garotos babarem pela Chun-Li. Ou pior: assistirem hentai. Tá, mas hentai realmente já é demais... Ah, para quem não sabe: hentai é anime pornô. Sim, existe isso). O pior foi que ela respondeu: “Eu também!” Por falar nela, é a Bella que está me transformando em nerd. Como aluna de mídia digital e fã de jogos, sempre que passamos nossas duas horas diárias dentro do ônibus, ela me conta as novidades tecnológicas e me coloca a par de gírias, histórias e coisas gerais relativas a jogos. E, como ela sempre fala dos jogos com uma empolgação contagiante, eu acabo me interessando.

E o que eu vejo nos jogos? Sei lá. Só sei que é um momento de descanso da minha mente. Eu não penso em nada, só em: “VAI, MORRE, BICHINHO MALDITO!! VAI, VAI, VAI... ÊÊÊ!! MORREU! Eu sou demais, eu sou demais, eu sou demais (enquanto faço a minha dancinha da vitória)”. Como eu penso demais, eu PRECISO descansar um pouco. Eu fujo da minha mente enquanto estou jogando.

É, estou virando uma nerd...

Social life

Nunca tive muita vida social, e, para ser sincera, não sei o porquê disso. No entanto, estou mudando essa realidade e estou socializando bastante ultimamente. Nesta semana, estava conversando com uma amiga da faculdade super parecida comigo, a Gaby, e disse que não estava a fim de ir pra casa, que preferia ficar na PUC sem fazer nada.

- Sem fazer nada, não! Socializando! Socializar é muito importante, eu sempre imagino aquelas barrinhas do “The Sims”... – respondeu a Gaby.

Aí eu pensei: nossa, socializar é tão importante quanto fazer suas necessidades fisiológicas, comer, arrumar a casa, descansar, se divertir e... o que mais tem no “The Sims”? Ah, não lembro. Mas já deu pra entender a ideia.

Eu ficava imaginando: “Para onde eu vou sair quando fizer 18 anos, já que não gosto de boates, não danço e não bebo?” Aí eu perguntei pra Tüppÿ, que tem 19 anos, o que ela faz pra se divertir: “Ah, eu vou ao cinema e vou a lugares bucólicos com os meus amigos, e aí imaginamos que vivemos no campo”. Tudo bem, eu não sou muito fã da natureza, não; quero dizer, faço tudo para salvá-la e tudo o mais, mas ir viver no meio da natureza, com mosquitos e bichinhos do gênero... não, obrigada. Enfim. Depois dessa conversa com a Tüppÿ, percebi que não precisava fazer o que todo mundo fazia para se divertir. Algumas pessoas até reclamam comigo: “Pô, Ju! Você não vai em festas, não bebe, nem nada... Aproveita a vida, menina!”. Bem, como eu vou aproveitar a vida fazendo coisas que eu não acho divertidas? Eu não sei dançar e nem tenho vontade de aprender; não bebo porque o gosto de álcool não me atrai nem um pouco; não vou a festas porque... bem eu quase não sou chamada para festas e, quando eu sou chamada, o que tem para fazer? Beber e dançar! Aí eu prefiro ficar em casa vendo “Comédia MTV” – é, ainda tem isso: festas geralmente são sábado à noite, justamente quando passa o único programa que eu vejo na TV. É sério, eu só vejo duas horas de TV por semana: “Comédia MTV” e “Quinta Categoria”. Tá, passa em outros horários, mas eu praticamente só posso ver no sábado.

E aí você me pergunta: “Ué, mas como você tá socializando, então?”

A faculdade é uma coisa maravilhosa, caros leitores. Se vocês ainda não estão nela e estão tristes pelo fim do colégio, não fiquem. Tá, as primeiras semanas podem ser um inferno, mas depois melhora bastante e você vai encontrar pessoas bem parecidas com você. E é assim que eu estou socializando. Indo ao shopping com a Gaby, descobri que ela é uma fã incondicional de Audrey Hepburn e é uma das poucas pessoas em Letras que gosta de literatura comercial. Num dos meus horários vagos, descobri que a Tüppÿ não bebe e que também se recusa a dançar – ou será que foi a outra Luiza que disse isso? Ok, não me lembro... A Carol S. veio aqui em casa ontem (a gente ia pra casa da Didi ver um romance; mas aí não achamos o filme e decidimos ver uma comédia. O DVD não passou e tivemos que ver “Mulan 2” =D) e ela disse que eu me perco no meu cérebro. É bem verdade, eu esqueço as coisas que ia falar, às vezes paro no meio da frase porque não consigo formular o resto... é bizarro ser eu. Por falar nisso – apesar de ser um assunto totalmente aleatório –, na faculdade, além das aulas, a gente tem que ter uma certa quantidade de horas extras em atividades complementares. Aqui em Letras na PUC são 210h – ou seja, coisa pra caramba! Logo, eu praticamente invento atividades para completar essas horas infinitas. Que tipo de atividade? Bem, o comum seriam palestras, exposições, mesas redondas e coisas do gênero. Eu já cadastrei atividades como o filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, uma palestra sobre Jung e, a minha “obra-prima” em termos de aleatoriedade: “O grande ditador” e a relação palavra/imagem. A Gaby diz que é como se eu tivesse uma matéria chamada: “Pegue qualquer coisa aleatória, dê seu jeito de relacionar com Letras e prove que isso vai ser importante para a sua vida acadêmica”. É, foi como eu disse: é bizarro ser eu. Mas confesso que também é bem divertido!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Clockwork Orange - Laranja Mecânica

Atenção: texto bem longo, com spoilers de “Laranja Mecânica”! Mas o filme é bom, mesmo já sabendo o que vai acontecer...


Há um tempo queria ver “Laranja Mecânica”, adaptação cinematográfica de Stanley Kubrick para a obra literária de Anthony Burgess. Mas, como esse filme nunca passava na rede Telecine ou, menos ainda, na TV aberta, nunca conseguia ver. Perto da minha casa só tem locadoras que alugam lançamentos e o computador do meu pai, o único aqui em casa com internet, é estupidamente lento para baixar uma música; eu não quero nem pensar nas drásticas consequências que sofreria ao baixar um filme... Fiquei com mais vontade de ver quando a professora Valéria levou um amigo seu, o professor Amaury dos Santos Neto, especialista em Burgess, para falar sobre “Laranja Mecânica” na aula de Literatura e Interfaces. Eu até ia ver esse filme na casa da Bella (estávamos pensando em fazer uma espécie de “Sessão Kubrick” por semana; já vimos “Dr. Strangelove” e começamos a ver “2001 – uma odisséia no espaço”), mas acabei não aguentando. O tédio foi mais forte que eu nesse feriado e decidi catar o filme no YouTube mesmo. Vi dublado (não achei legendado), desconfortavelmente instalada na frente de um lento computador que travou umas... ahn... 10 vezes no mínimo – e isso não é uma hipérbole! Enfim. Vamos à história.

Alex (acho que o sobrenome dele é Burgess – sim, o sobrenome do autor do livro também é Burgess) é um jovem de 14 anos, apesar de o Malcolm McDowell ter muito mais que isso quando o interpreta, que mata, rouba e estupra com seus amiguinhos – os “droogs”. É bem difícil de acreditar que ele é tão jovem primeiramente pelos seus crimes hediondos; em segundo, porque ele usa um vocabulário bem culto, apesar de ser estranhamente misturado com palavras de outras línguas. Bem, parando para analisar, também incorporamos palavras estrangeiras à nossa língua, desde lanche até abajur. Enfim. O estranho é que só ele e seus “droogs” usam esse vocabulário. Alex e seus amigos (olha, dá nome de desenho animado do Discovery Kids!) se vestem de uma forma bem incomum, com chapéus coco, macacões brancos e com uma espécie de cueca por cima da calça. Além disso, Alex usa cílios postiços num olho só.

O filme se passa numa sociedade distópica futurista. Aí você me pergunta: sociedade dis-o-quê? Uma sociedade utópica é uma sociedade que não existe, onde tudo é perfeito e onde todos vivem felizes. E porque ela é inviável? Porque cada um tem uma noção diferente de perfeição. A sociedade distópica é a utopia posta em prática: ou seja, ela vira uma ditadura. As três obras distópicas mais importantes são “1984”, de George Orwell (sim, você já ouviu falar dele! No primeiro vídeo do Gaiola das Cabeçudas, a primeira pergunta que satiriza o “Créu” é “Quem escreveu o livro “1984”? George Orwell/ George Orwell / George Orwell / George Orwell”); “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley (você também já deve ter ouvido falar dessa obra: o primeiro CD da Pitty e a música homônima, “Admirável Chip Novo”, são inspirados nesse livro); e “Laranja Mecânica”. O engraçado é que é um futurista meio retrô: como esse filme é de 1971, o futurismo de Kubrick é quase uma coisa Jetsons, com toques típicos da década de 60/70 – desde a decoração da casa de Alex até o fato de que ele escuta Beethoven em fitas cassete.

Depois de matar acidentalmente uma mulher, que espancou ferozmente, Alex é preso e, posteriormente, mandado pra uma espécie de... como vou explicar?... acho que seria uma espécie de “reabilitação mental”. Ele é submetido a ver cenas de violência extrema, enquanto suas pálpebras estão presas por grampos. Alex até gostaria de ver aquelas cenas, mas os médicos lhe deram um remédio que faz com que ele passe muito mal. Ele acaba então relacionando o enjoo forte com cenas de violência e sexo – ou seja, mesmo quando ele quer bater, roubar ou estuprar, começa a passar mal e não consegue. Depois de ser “comprovado” que ele realmente não conseguiria praticar mais atos de violência, Alex é liberado e volta à sociedade. No entanto, ele acaba se encontrando com pessoas que agredira de alguma forma e essas pessoas, obviamente irritadas com ele, o atacam de diversas formas.

E essa contextualização toda foi para chegar aqui: creio que a maior questão do filme é se é certo “desumanizar” alguém para que essa pessoa se ajuste aos padrões sociais. Em outras palavras: fazer esse tipo de lavagem cerebral numa pessoa e tirar todo o livre arbítrio dela, transformá-la numa pessoa boa por obrigação e não por vontade própria, para que ela possa conviver em sociedade sem ferir a mesma. Será que isso é “certo”? Eu tinha uma opinião até ver esse filme, depois mudei. Não acho que devamos aqui chegar a uma resposta definitiva; abrir espaço para a discussão é mais importante, na minha opinião, do que concluir com um ponto de vista.

Bem, outro ponto, que eu acho que é meio deixado de lado quando se estuda “Laranja Mecânica”, é a questão da “segunda chance”. OK, o Alex não se regenerou de verdade; mas imaginemos que tivesse. Além do espectador, ninguém sabia que ele ainda tinha aqueles pensamentos horrendos. No entanto, seus antigos “droogs” – que agora viraram policiais –, os seus pais (sou só eu que acho que o pai do Alex tem um quê de George McFly?), o velhinho bêbado que tinha espancado no início do filme e o escritor que tinha tido sua casa invadida pelo bando de Alex, nenhum deles perdoou Alex. Todos se vingaram de alguma forma, seja por violência física, seja por violência psíquica – às vezes, mais cruel que a física. E aí eu pergunto: se ele tivesse se regenerado, não ia ficar muito p. da vida e não ia querer voltar a violentar as pessoas?

Talvez quem não viu o filme não esteja entendendo como eu possa estar talvez defendendo um criminoso desses (mesmo que ficcional). Bem, não estou defendendo. Mas creio que ninguém nasce mau e que ninguém é 100% mau. Maldades são, do ponto de vista de boa parte da sociedade, coisas erradas. Maldades são erros. E quem não erra? Tudo bem, Alex extrapola. Alex gosta da violência. Alex tem probleminha. Mas o que eu queria parar para refletir é: e quem erra uma vez e é julgado e martirizado por um erro que cometeu e já se arrependeu há muito tempo? Não falo necessariamente de criminosos não. Erros comuns, mas que machucam do mesmo jeito. Precisa martirizar tanto o outro? Precisa martirizar tanto a si mesmo? Eu consigo imaginar que o trauma sofrido por cada uma das vítimas do Alex é grande. Mas bater nele, afogá-lo, torturá-lo... Não seria melhor tentar oferecer a paz a ele? Apesar do mal, faz o bem.

Desculpe se pareço defender o Alex, realmente não é minha intenção. Ou melhor, posso estar defendendo seus direitos, mas não justifico, nem concordo com, nem defendo suas maldades. Pelo contrário. Mas quem viu o filme sabe: Kubrick faz com que você fique com pena do rapaz, mesmo sabendo de todas as barbaridades cometidas por ele. Antes de me criticar, então, veja o filme =D

Então é isso. Por hoje é só pessoal (e começa a tocar a musiquinha do Looney Toones).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Material Girl

Hoje eu fui na Taquara - o melhor lugar que eu conheço para fazer compras se você não tem muito dinheiro, mas gosta de comprar coisinhas legais mesmo assim - e veja as minhas aquisições e seus respectivos preços:


Blusa Preta com lacinhos rendados - $8,50 - brechó
Suspensórios cerejinha - $10 - feirinha
Blusa the taste of the fruit - $7,50 - brechó - não gosto de Crepúsculo não, mas assumo que achei essa blusinha com uma maçã mordida bem fofa
Brinco preto de zíper - $1 - feirinha - finalmente uma modinha legal!
Regata preta básica - $2,50 - brechó
Saia jeans - $5,50 - brechó

Aí abaixo vem mais coisa que eu não comprei hoje, mas vale a pena postar aqui: 





Vestido xadrez roxo - de $50 por $20 - Lojas Americanas

Porta copos Pequena Miss Sunshine - $8,50 - Loja do cinema do Shopping da Gávea - essa loja é meio carinha, mas é tão fofa que eu acabo abrindo exceção e comprando coisas lá. E sim: esse é o porta copos do texto "O ladrão da felicidade".

Ah, aguardem em breve fotos de caixinhas da Audrey Hepburn! Minha mãe, que é artesã, vai começar uma coleção sobre cinema e uma sobre autores. E o melhor: se você me conhece pessoalmente, pode pedir uma caixa sob encomenda! Além de Audrey Hepburn, minha mãe deve fazer caixas de Kubrick, Clarice Lispector, Machado de Assis e uma especial com autores de romance policial (Agatha Christie, Poe e Conan Doyle). E tem mais! O preço é super razoável - de $15 a $25! Numa loja, uma caixinha é uns $75...

Bem, tenho que ir, depois desse "momento Polishop". Beijos Beijos