Eu gosto sim da Banda Djavú, de Zezé di Camargo e Luciano, de Roupa Nova, de romances mulherzinha (tipo Marian Keyes, Gossip Girl, Bridget Jones e afins), li a saga inteira de “Crepúsculo” e até gosto da história, apesar de achar que foi mal-escrita, já amava buldogues franceses há uns dois anos antes de a Lola, do PC Siqueira, pensar em nascer, meu gênero preferido de filmes é animação, leio revistas adolescentes, meu ideal de beleza é extremamente equivocado, do ponto de vista de uma pessoa normal (acho o Paul Dano, o Dwayne de “Pequena Miss Sunshine”, lindooooo!), e, finamente, gosto, sim, de Restart.
Não uso roupas coloridas porque não gosto. O máximo de cor que me arrisco a usar é um vermelho, um pink ou um roxo. Mas gosto muito da ideia dessa ideia do Happy Rock de aposentar o preto, apesar de eu não ter coragem para tanto. O Happy Rock é um tanto inovador nesse aspecto: o preto SEMPRE foi a cor do rock, e Pe Lanza, Pe Lu, Thomas e Koba ousam fazer rock (porque “Recomeçar” é rock sim) com calças verde limão, camisetas laranja neon e suspensórios vermelhos, com tênis coloridos – e pela primeira vez o All Star deixou de ser o tênis de quem toca rock –, pulseiras de mola e Ray ban. Mas não é porque eu curto o som dos caras – ou porque curto os caras, ou, mais especificamente, o Pe Lanza – que vou jogar fora minhas 5 blusas de caveirinhas, doar meus 5 pares de All Star, queimar minhas incontáveis blusas pretas e começar a usar Ray bans. Tá, eu queria muito comprar um Ray ban azul escuro, mas os óculos simplesmente não combinam com o meu tipo de rosto e eu vou respeitar isso usando apenas meus óculos enoooormes à la Willy Wonka.Além da inovação das cores no mundinho preto, o Happy Rock (e não “Rap Rock”, como estava escrito numa “Caras” que eu estava folheando na casa da minha avó) traz uma ideia de que rock não é sexo, drogas, ficar doidão, ignorar os fãs e quebrar quartos de hotel. Ok, originalmente o rock pode até ser isso, mas, na minha opinião, rock é transgressão com guitarras e bateria (porque eu NUNCA consigo ouvir o baixo, a não ser nas músicas do Red Hot e em algumas do Nirvana). E o que é mais transgressor que mudar, ou pelo menos tentar mudar, o próprio rock? Eu duvido muito que o preto deixe de ser a cor do rock e duvido que o Pe Lanza seja chamado de roqueiro por qualquer revista que seja, mas talvez as futuras gerações do rock aprendam algo com a Restart. Talvez a serem mais simpáticos e brincalhões, talvez a darem mais importância às fãs, talvez a dar a cara a tapa – ou vocês acham que é fácil ser vaiado em rede nacional no VMB, maior prêmio da música brasileira, e continuar feliz? Gente, o Pe Lanza tem 17 ou 18 anos, ele é da minha idade! E se fosse eu lá naquele palco, ah, eu ia chorar muito.
Aí os pseudo cults – tipo humano detestável – reclamam que as letras não trazem nada de novo. Não, realmente não acho que elas tragam algo de novo. Mas acho que desde a Madonna as letras não são mudadas. Até a Lady Gaga, que inovou em tudo, pecou um pouquinho nas letras. Não, mentira, eu esqueci da Lily Allen e da Pitty, que têm letras in-crí-veis! Enfim. Eu não sei se você percebeu, pseudo cult, mas há muito tempo que uma banda não é feita só de música. A banda é feita do seu visual, do seu comportamento, do seu nome e, ah, sim, da sua música - mas o nível de importância da música no sucesso de uma banda é assunto pra outro post. Então, pseudo cult, se você quiser ouvir um Djavan e não entender a letra, vá em frente; se você quiser sofrer ao ouvir a voz desafinada do Caetano Veloso, quem sou eu pra te impedir?; e se você quiser ir num show do João Gilberto e sair de lá maravilhado com a arrogância do sujeito, go ahead, delicie-se. Mas me deixa ser feliz cantando “E eu vou te esperaaar, aonde quer que eu váá, aonde quer que eu váá, te levo comigo”...